Quarta-feira, 02 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 9 de maio de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respeita chefes de Estado que demonstram altivez, a exemplo do presidente Lula (PT), enquanto maltrata quem considera inferior. A avaliação é de Roberto Abdenur, embaixador do Brasil em Washington entre 2004 e 2006, em entrevista a CartaCapital.
Trump e Lula se reuniram por cerca de três horas em Washington, na quinta-feira (7). Após a agenda, o republicano publicou uma simpática mensagem nas redes sociais, na qual definiu o petista como “um presidente muito dinâmico”. A foto oficial, com os presidentes sorrindo, também saiu a contento para os interesses brasileiros.
Há um contraste notável, por exemplo, com o tratamento dispensado por Trump ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em fevereiro de 2025. O norte-americano impôs uma humilhação pública ao convidado em pleno Salão Oval da Casa Branca.
“Trump menospreza quem vai a ele a pedir algo e ele sente ser ‘inferior”, resume Abdenur. “Lula foi – até a visita o único chefe de governo a contestar Trump. E ele respeita quem se mostra firme e altivo, como é Lula, que nunca abaixou a cabeça para ninguém.”
Trata-se, de acordo com o ex-embaixador, de uma vitória, devido ao progresso no “relançamento” das relações Brasil-EUA. De quebra, assinala Abdenur, Lula altera o panorama da relação entre o bolsonarismo e o governo norte-americano.
“Eles [os bolsonaristas] não contam mais com acesso privilegiado a altos escalões do trumpismo”, acrescenta. Por fim, Roberto Abdenur vê um trunfo pouco lembrado na viagem a Washington: “Lula deixou para trás o velho ranço antiamericano do PT”.
Permanece, contudo, um foco de preocupação para o experiente diplomata: o secretário de Estado, Marco Rubio. “Ele vê o Lula como um perigoso esquerdista. Com ele ainda podemos ter problemas.”
Roberto Abdenur tem uma extensa carreira diplomática: chegou ao Itamaraty em 1963 e se afastou em 2007. Testemunhou da Guerra Fria à invasão do Iraque, passando pelo fim da União Soviética.
Como representante da gestão Lula (PT) na capital norte-americana, teve a complexa tarefa de reduzir a resistência da Casa Branca ao primeiro governo de esquerda do Brasil pós-redemocratização. O resultado foi positivo: o petista, antes visto apenas como aliado de Fidel Castro, construiu uma relação harmoniosa com George W. Bush. (Com informações da CartaCapital)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.