Sábado, 18 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de abril de 2026
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nessa sexta-feira (7) em um post no X que Donald Trump fez “sete declarações falsas em uma hora”. O presidente dos EUA postou uma série de publicações em sua rede social durante a manhã e deu várias entrevistas a agências de notícias.
“O presidente dos Estados Unidos fez sete afirmações em uma hora – todas as sete são falsas”, postou Ghalibaf.
Segundo Ghalibaf, os EUA não venceram a guerra com “essas mentiras” e tampouco terão sucesso nas negociações. Ele acrescentou ainda que, se o bloqueio naval dos EUA continuar, o Estreito de Ormuz não permanecerá aberto.
A declaração vai na mesma linha de outra autoridade iraniana ouvida pela agência de notícias Fars nessa sexta.
Mais cedo, Trump afirmou que o bloqueio militar norte-americano, em vigor na entrada do Estreito de Ormuz desde segunda-feira (13), iria continuar mesmo após o Irã anunciar a reabertura total da rota marítima.
Em um post na rede Truth Social, Trump afirmou que só retirará suas tropas da rota depois que as negociações com o Irã estiverem “100% concluídas”, mas que o estreito “está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”.
“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, escreveu.
Em um post no Telegram, com um print do que foi escrito por Trump, a agência iraniana chamou a decisão do americano de “chantagem”.
Já a agência estatal iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, chamou o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz de incompleto e também afirmou que a passagem será fechada caso o bloqueio dos EUA na região continue.
A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações por um acordo de paz entre os dois países, que estão sendo mediadas pelo Paquistão.
No começo dessa sexta, os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países, sem a presença dos Estados Unidos, para debater planos para a reabertura do estreito.
Mais cedo, dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler já mostravam que a circulação pelo estreito havia sido retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã , transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto, os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, na segunda.
Impasse
Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz, a única via de saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam grandes produtores de petróleo. Pelo estreito, costumam circular navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
A via marítima fica entre os territórios do Omã e do Irã, e sua largura não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos, o que facilita o controle por parte dos dois países.
O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito, e, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito, disparando contra alguns deles e implementando minas navais.
Minas navais
Mais cedo nessa sexta, Trump afirmou que os EUA “estão trabalhando com o Irã para retirar as minas (navais)”, mas o próprio governo iraniano já havia dito não saber ao certo a localização de todas elas, e pediu que os navios cruzassem o Estreito de Ormuz apenas nas rotas seguras recomendadas pela Organização dos Portos iraniana.
A Marinha norte-americana também emitiu um comunicado aos navegantes da área em que diz que a “ameaça representada por minas em partes do Estreito de Ormuz não é totalmente compreendida, e recomenda-se que os navios evitem a área”. (Com informações do portal de notícias g1)
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