Domingo, 23 de junho de 2024

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Voltar Todas as togas do Supremo têm a mesma cor, diz Flávio Dino no Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal realizou, nessa quarta-feira (13), as sabatinas de Flávio Dino, para o Supremo Tribunal Federal (STF), e Paulo Gonet, para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Indicados aos postos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos precisam passar pelo crivo do Senado para assumir os cargos.

Durante as considerações iniciais, Dino destacou que na Suprema Corte, “todas as togas são da mesma cor”.

“Ninguém adapta a sua toga ao seu sabor. Todas as togas são iguais. Isso é uma simbologia fundamental em que a política é o espaço da pluralidade. O Poder Judiciário, claro, tem saberes e sabores diferentes, mas as togas são iguais, a Constituição é igual, as leis são iguais. Cada ministro ou juiz não pode ir com uma toga diferente”, argumentou o ex-governador do Maranhão.

Flávio Dino defendeu que a presença de políticos e políticas “não é estranha” no STF.

“No Brasil temos uma longa linhagem de parlamentares, senadores, ex-governadores que tiveram a honra de figurar no STF e agregar saberes nascidos dessa prática. Lembro desde o venerável Hermes Lima, um dos mais ilustres da Suprema Corte. Osvaldo Trigueiro que foi governador. Nelson Jobim, meu professor e querido amigo”, relembrou.

“Não vim aqui fazer debates políticos. Não me cabe, neste momento. Vim aqui responder ao atendimento de dois requisitos constitucionais. Notável saber jurídico e reputação ilibada”, pontuou Dino.

Gonet

Paulo Gonet, por sua vez, ressaltou os 36 anos de carreira como integrante do Ministério Público Federal (MPF). “Empenho na busca do justo e na dedicação aos interesses da dignidade da pessoa”, pontuou.

“Gostaria de enfatizar que toda uma vida assim dedicada ao direito se me inspirou a necessidade do olhar técnico sobre temas delicados da convivência social e política, não me embaçou a visão para o principal: a percepção de que o direito foi feito para as pessoas, devendo ser tratado como instrumento indispensável para que todos possam, com autonomia, buscar a realização como seres humanos responsáveis pela nossa vida e co-responsáveis pela história do nosso tempo”, afirmou.

Logo no início, senadores de oposição pediram que sabatinas fossem separadas. “Temos duas autoridades que precisamos ouvir. O Senado tem certas inovações que são positivas, mas essa inovação aqui, que foi anunciada de sopetão, nunca tinha visto acontecer isso. E alguns colegas disseram que nem nas legislaturas anteriores houve. É uma inovação antidemocrática”, disse o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

O presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (União-AP), negou o pedido e justificou com a solicitação de “esforço concentrado” de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. De acordo com ele, o processo ocorre de forma simultânea. O formato é inédito no caso de indicações ao STF e à PGR e tem o objetivo de dar agilidade ao processo.

“Temos a semana do esforço concentrado pelo presidente, de 12 a 15 [de dezembro]. Quando se demora para deliberar ou para tramitar uma indicação de uma autoridade, a cobrança é feita em cima da presidência, que não dá celeridade. Vivi isso no governo passado. Eu me comprometi com vossas excelências que nós iríamos tentar dar celeridade e um prazo razoável”, apontou Alcolumbre.

O pedido de realização das sabatinas separadas foi levantado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que apresentou uma questão de ordem. A solicitação foi endossada pela oposição. “O formato de bloco dificulta o processo de questionamento. O apelo que faço é que a gente faça de forma individualizada. São perfis diferentes. Teríamos condições de fazer as duas sabatinas e levar para o plenário uma sabatina que engrandeça a CCJ”, pontuou Marcos Rogério (PL-RO).

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