Quinta-feira, 13 de junho de 2024

Quinta-feira, 13 de junho de 2024

Voltar Tensão: Venezuela rejeita presença do Comando Sul dos Estados Unidos na Guiana e diz que decisão ameaça a “zona de paz na região”

Dias após um referendo convocado pelo presidente Nicolás Maduro decidir por 95% dos votos — segundo as autoridades — a incorporação à Venezuela do disputado território do Essequibo, pertencente à Guiana, o governo chavista deu ontem um novo passo na escalada da tensão com o país vizinho.

Em reação à autorização do presidente guianês, Irfaan Ali, para a presença do Comando Sul dos Estados Unidos em seu país, a Chancelaria da Venezuela denunciou a decisão, classificando-a como “imprudente”. As críticas à decisão do líder guianês ocorrem em meio ao agravamento da disputa territorial entre os dois países.

Ali pôs as Forças Armadas guianesas em estado de alerta e intensificou a mobilização internacional para tentar frear as ameaças de Maduro, que enviou um contingente militar a Puerto Barima, perto do Essequibo.

Por meio de um comunicado, o governo da Venezuela acusa Ali de ter agido “de maneira irresponsável” ao dar “sinal verde” para a presença das bases militares americanas na região, “sobre a qual a Guiana mantém uma ocupação de fato”.

“A Venezuela denuncia, perante a comunidade internacional e, especificamente, perante a Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac), a atitude imprudente da Guiana, que, agindo sob o mandato da transnacional estadunidense ExxonMobil, está abrindo a possibilidade de instalação de bases militares por uma potência imperial, ameaçando a zona de paz delineada nesta região”, diz o comunicado.

A pasta também denunciou que essas ações “agravam a disputa territorial” e ocorrem após o referendo consultivo que a Venezuela realizou no último domingo (3).

Nele, de acordo com números do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo chavista, 10,4 milhões de pessoas participaram, com 95% dos votos em apoio à anexação do território e à criação do estado Guiana Essequiba. A oposição contestou os números de eleitores que participaram da consulta e acusou Maduro de usar a questão politicamente.

Na terça-feira (5), Maduro anunciou a criação de uma Zona Operacional de Defesa Integral (Zodi) na área, baseada em Tumeremo, no estado de Bolívar, que faz fronteira com o Essequibo.

Além disso, informou a nomeação do major-general e deputado Alexis Rodríguez Cabello como autoridade única da Guiana Essequiba e ordenou à petrolífera estatal PDVSA que entregasse licenças de exploração na região — a Venezuela critica o fato de que a Guiana pretende conceder licenças à ExxonMobil para exploração de petróleo.

Ali rejeitou as medidas anunciadas por Caracas em transmissão ao vivo pelo Facebook.

“Esta é uma ameaça direta à integridade territorial, à soberania e à independência política da Guiana”, disse ele. “A Guiana vê esta situação como uma ameaça iminente e vai intensificar medidas de precaução para salvaguardar seu território.”

O presidente guianês informou que contatou o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o Comando Sul dos Estados Unidos para informá-los do sucedido. Ali disse que levaria “o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que esse órgão possa tomar as medidas adequadas”. O líder guianês disse, ainda, que está em comunicação com “parceiros bilaterais” — Brasil, o Reino Unido, a França e os EUA — e que as Forças de Defesa da Guiana estavam em contato com seus “homólogos militares, incluindo o Comando Sul dos Estados Unidos”.

Acordos

A Guiana tem acordos de parceria com o Comando Sul dos EUA, responsável pela área do Hemisfério Ocidental nas Forças Armadas americanas. No fim de novembro, as lideranças da 1ª Brigada de Assistência à Força de Segurança do Exército dos EUA e a Força de Defesa da Guiana se reuniram “para melhorar a prontidão e a capacidade militar dos dois países, para responder às ameaças à segurança”, segundo a embaixada americana em Georgetown.

Dias atrás, o vice-presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, disse em entrevista coletiva que, diante das ameaças, o país poderia autorizar o estabelecimento de bases militares estrangeiras no Essequibo.

Nessa quarta (6), os chanceleres da Guiana, Hugh Todd, e da Venezuela, Iván Gil, conversaram por telefone pela primeira vez desde o referendo de domingo para discutir a situação. Segundo comunicado de Caracas, ambos os governos “concordaram em manter os canais de comunicação abertos”, e a Venezuela “expressou a necessidade de impedir ações que agravem a controvérsia”.

No Rio para uma reunião de cúpula do Mercosul, o chanceler Mauro Vieira disse não ver risco de conflito entre Guiana e Venezuela, apesar do aumento da tensão.

“Não, em absoluto”, respondeu a uma pergunta sobre se havia chances de um conflito armado.

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