Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 20 de junho de 2026
Empresas norte-americanas pressionam o governo de Donald Trump a retirar mercadorias do Brasil da proposta de tarifa adicional de 25% analisada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A mobilização envolve companhias de pedras naturais, pisos, construção, mineração, educação e habitação, que afirmam que a sobretaxa elevaria custos no mercado interno.
Elas argumentam que não há fornecedores em outros países capazes de substituir o Brasil em termos de qualidade, escala de produção e preço.
Entre essas empresas está a GeoCentral, atacadista sediada em Mason, no estado de Ohio, especializada em pedras, cristais e fósseis. A companhia, controlada desde 2008 pela holding familiar CM Paula, pediu formalmente ao USTR que as pedras semipreciosas brasileiras sejam incluídas na lista de produtos isentos da medida.
Segundo a empresa, mais de 25% de todo o seu portfólio é importado do Brasil de estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, incluindo a maior parte das pedras preciosas e semipreciosas comercializadas em diferentes formatos, de cristais soltos a produtos prontos para o varejo.
Em 2025, as exportações brasileiras da categoria de pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas, brutas ou trabalhadas, somaram cerca de US$ 45,6 milhões para os EUA. Quando se incluem joias e outros artigos de matérias preciosas ou semipreciosas, o valor supera US$ 71,8 milhões.
A GeoCentral não está sozinha. Ao menos outras 11 empresas e entidades setoriais enviaram manifestações ao USTR contestando a proposta de sobretaxa sobre mercadorias brasileiras.
Destas, pelo menos nove são dos Estados Unidos. Em comum, elas afirmam que a medida aumentará custos, prejudicará suas operações e reduzirá a competitividade da indústria dos EUA.
Entidades setoriais também entraram no debate. A American Seed Trade Association (ASTA), que representa a indústria de sementes dos EUA, pediu participação na audiência pública do USTR e defendeu que sementes para plantio sejam excluídas da tarifa proposta sobre produtos brasileiros.
Segundo a associação, a implementação da nova taxa prejudicaria a competitividade do setor americano e afetaria cadeias globais de suprimento essenciais para a inovação agrícola.
Decisão final
Após o prazo para envio de manifestações por escrito, que se encerra em 1º de julho, e da audiência pública marcada para 6 de julho, o governo dos EUA deverá analisar as contribuições recebidas antes de tomar a decisão final.
A expectativa é que o processo seja concluído até 15 de julho, data prevista para eventual implementação das novas tarifas.
Segundo o Itamaraty, o Brasil tem atuado em duas frentes para tentar reverter a proposta: a contestação técnica da investigação conduzida pelo USTR e a negociação diplomática com Washington.
O governo brasileiro afirma já ter enviado manifestações formais ao órgão americano e estuda apresentar uma nova contribuição durante o período de consultas.
Paralelamente, a Amcham Brasil defendeu uma solução negociada e destacou a complementaridade econômica entre Brasil e Estados Unidos.
Para as empresas mobilizadas, a tarifa não ampliará a produção americana, pois os produtos brasileiros não possuem alternativas equivalentes no mercado local. (As informações são do g1)
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