Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 9 de outubro de 2026
A Justiça de Alagoas condenou nessa sexta-feira (9) a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais ao deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
O juiz Henrique Gomes de Barros Teixeira, da 3ª Vara Cível de Maceió, entendeu que a acusação pública de estupro de vulnerável contra o parlamentar não tinha respaldo probatório suficiente e ultrapassou os limites da liberdade de expressão.
Na sentença, o magistrado afastou o argumento de imunidade parlamentar apresentado pela defesa da senadora.
“A imunidade parlamentar existe para garantir a independência do mandato, não para converter o parlamentar em pessoa juridicamente imune à responsabilidade por manifestações que, embora inseridas em ambiente político, extrapolem os limites da prerrogativa constitucional”, escreveu.
O juiz também afirmou que a crítica política continua protegida, mas não justifica acusações criminais sem provas suficientes.
“A crítica política permanece plenamente protegida, mas a imputação factual de crime grave, desprovida de substrato probatório suficiente e amplamente divulgada, caracteriza abuso do direito de manifestação”, registrou.
A sentença determinou ainda que Soraya pague as custas processuais e honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da condenação. A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal de Justiça de Alagoas.
Arquivamento
A decisão cível considerou o arquivamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de um pedido de investigação contra Alfredo Gaspar.
Em 6 de outubro, o ministro Gilmar Mendes acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e rejeitou a abertura de inquérito por suspeita de estupro de vulnerável.
Gilmar concluiu que não havia “base indiciária suficiente” para instaurar a investigação.
Segundo o ministro, os arquivos e relatos reunidos nas diligências preliminares não estavam suficientemente corroborados entre si nem contavam com elementos externos e independentes que dessem consistência às acusações.
Acusação
Soraya e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusaram Gaspar de ter estuprado uma adolescente de 13 anos e provocado uma gravidez.
A denúncia veio a público em março, durante os trabalhos finais da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, da qual Gaspar era relator.
Na época, o deputado negou a acusação e afirmou que o caso envolvia um primo. Ele também se colocou à disposição para realizar exame de DNA.
Gaspar relacionou a denúncia à atuação dele na CPMI, cujo relatório pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quando a acusação veio a público, em 27 de março, durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar rebateu Lindbergh Farias (PT-RJ), que o chamou de “estuprador”.
“Eu estuprei corruptos como vossa excelência”, respondeu o deputado.
Gaspar afirmou que a denúncia tinha motivação política e buscava atingir sua atuação como relator da comissão, que pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Gaspar também afirmou que a história envolvia um primo, não ele, e se colocou à disposição para realizar um exame de DNA.
Em abril, ele realizou a coleta de material genético na perícia oficial de Alagoas e divulgou o procedimento nas redes sociais.
Em agosto, voltou a afirmar que já havia feito o exame para demonstrar sua inocência.
Após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivar o pedido de investigação, em 6 de outubro, Gaspar disse que buscaria a responsabilização dos acusadores.
“Eu tô com o coração descansado, mas vou até o fim como cidadão buscar a punição e a prisão dos parlamentares criminosos”, declarou ao portal UOL.
Soraya afirmou que não havia sido citada para apresentar defesa e questionou a competência da Justiça estadual diante do foro por prerrogativa de função.
A senadora também declarou que pretende denunciar a conduta do magistrado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso a condenação se confirme.
Soraya questionou a ausência de um exame de DNA e negou ter afirmado diretamente que Gaspar era o pai da criança. “DNA não se faz falando, se faz com exame. Cadê o exame?”, declarou.
A senadora também afirmou que pretende recorrer da decisão. (Com informações da Gazeta do Povo)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.