Segunda-feira, 24 de junho de 2024

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Voltar Sem a força do agronegócio e com juro alto, economia brasileira tem alta modesta

A economia brasileira confirmou a perda de fôlego esperada para o terceiro trimestre. Sem a força da agropecuária e prejudicada pelos juros altos, o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,1% na comparação com os três meses anteriores. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado do PIB ficou dentro do esperado por analistas, cujo intervalo variava de queda de 0,6% a alta de 0,9%. Mas veio acima da mediana das previsões, que era de recuo de 0,2%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2022, o PIB avançou 2%. No acumulado dos últimos quatro trimestres, a alta é de 3,1%.

A desaceleração no período de julho a setembro já era esperada, depois de um primeiro semestre de força surpreendente da economia brasileira. O IBGE revisou o crescimento do segundo trimestre de 0,9% para 1%. Nos primeiros três meses do ano, a alta passou de 1,8% para 1,4% – o desempenho de janeiro a março foi influenciado por um resultado extremamente positivo do agronegócio.

“É um cenário de PIB (do terceiro trimestre) que mostra algumas fraquezas. Os serviços, por exemplo, começam a dar sinais de desaceleração mais forte em alguns segmentos. E, do lado da demanda, o investimento caiu com força”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

Setores

Do lado da oferta, houve uma desaceleração generalizada no terceiro trimestre. Serviços e indústria cresceram 0,6% no período, mas tiveram um desempenho pior do que o observado no segundo trimestre. E a agropecuária recuou 3,3%. “A soja tem um peso muito importante no primeiro semestre e, no segundo, praticamente não tem mais”, diz Natália Cotarelli, economista do Itaú. Neste ano, o Brasil foi beneficiado por uma safra recorde e por elevados preços das commodities no cenário internacional, o que deve trazer um resultado recorde para a balança comercial.

Do lado da demanda, com um mercado de trabalho robusto, o consumo das famílias ainda mostrou força e cresceu 1,1%, acima do observado no trimestre anterior (0,9%). Por outro lado, a formação bruta de capital fixo (os investimentos) recuou 2,5%. Foi a quarta queda seguida. A taxa de investimento foi de 16,6% do PIB, um desempenho pior em relação ao observado no mesmo período de 2022 (18,3%).

“Estamos com um mercado de trabalho forte e salários subindo na margem, faz sentido que com esse nível de renda tenhamos um consumo mais resiliente”, afirma Natália.

O consumo do governo teve alta de 0,5%, enquanto as exportações subiram 3%, e as importações recuaram 2,1%.

“São alguns fatores por trás desse movimento (de desaceleração do PIB). Tem os efeitos defasados da política monetária e a própria questão da sazonalidade muito forte de agropecuária”, diz Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências.

Desaceleração

A análise dos economistas é a de que a fraqueza da economia brasileira deve prosseguir no quarto trimestre. “É uma economia que está desacelerando e que vai ter um crescimento mais fraco em 2024”, afirma Vale. O resultado do terceiro trimestre também reforça uma previsão de crescimento na faixa de 3% para este ano e de 1,5% a 2% para 2024.

“Depois de um período bastante expressivo de crescimento, de meados de 2020 até o primeiro semestre de 2023, agora estamos vendo um freio de arrumação da economia”, diz Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos. Ele manteve as projeções de crescimento de 2,8% para a economia em 2023 e de 1,5% em 2024.

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