Domingo, 29 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de agosto de 2023
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nessa quarta-feira (2) que os juros do cartão de crédito rotativo vão cair, mas que as taxas devem permanecer altas até que o governo chegue a um consenso com os bancos e a um “sistema mais saudável”.
“Vai cair. Quando eu falo gradualmente, não é que vai cair de 430% para 420%. Vai cair muito, mas, mesmo caindo muito, vai continuar alto por um tempo até a gente cumprir uma transição. O que vamos contratar no sistema bancário é uma transição para um sistema que seja mais saudável do que esse.”
Em entrevista a emissoras de rádio no programa Bom Dia, Ministro, Haddad destacou o “freio de arrumação” dado pelo governo na economia neste primeiro semestre – incluindo a redução da inflação, o que abre espaço, segundo ele, para a queda dos juros.
“Está todo mundo trabalhando na mesma direção, para arrumar a casa. Ao arrumar a casa e tendo esses benefícios – queda da inflação, queda do dólar –, tudo isso aponta numa direção técnica de um corte mais consistente. Hoje, o mercado está pendendo mais para 0,5 do que para qualquer outro número”, completou Haddad.
Já sobre o Desenrola, programa de renegociação de dívidas, o ministro fez um balanço: quase R$ 3 bilhões em dívidas renegociadas até agora. O montante, segundo ele, pode chegar a R$ 50 bilhões até o fim do ano. Em setembro, o programa entra na fase de renegociação de dívidas de serviços, lojas e contas básicas, como água e luz.
Corte
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu pela redução de 0,5% da taxa Selic de 13,75% para 13,25% ao ano. A reunião do Copom nessa quarta-feira (2) definiu o primeiro corte da taxa básica de juros em três anos. A última queda havia acontecido em agosto de 2020, durante a pandemia de covid, quando a taxa Selic caiu de 2,5% para 2% ao ano.
Desde então, o índice registrou subidas paulatinas até alcançar o patamar de 13,75% em agosto do ano passado.
Votaram por uma redução de 0,5 ponto percentual o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os diretores Ailton de Aquino Santos (Fiscalização), Carolina de Assis Barros (Administração), Gabriel Galípolo (Política Monetária) e Otávio Damaso (Regulação).
Votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual os diretores Diogo Guillen (Política Econômica), Fernanda Guardado (Assuntos Internacionais), Maurício Costa de Moura (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta) e Renato Dias Gomes (Organização do Sistema Financeiro).
O voto de desempate, portanto, coube ao presidente do BC, Campos Neto. Em comunicado, o Copom informou que a queda da inflação possibilitou a redução nos juros.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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