Quinta-feira, 19 de maio de 2022

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Voltar Saiba o que são os buracos negros e o que há dentro deles

Nesta quinta-feira (12), uma equipe internacional de cientistas conseguiu capturar pela primeira vez a imagem real do Sagitário A* (lê-se Sagiário A, estrela), um buraco negro supermassivo que está localizado no centro da nossa Via Láctea. Mas para quem não é um astrofísico, um cientista da Nasa ou estudioso do fenômeno, o tema dos buraco negros é uma fonte de dúvidas.

Por isso, juntamos especialistas no tema para entender o que são, de fato, esses corpos celestes e por que até mesmo os pesquisadores que os estudam têm inúmeras questões sem respostas sobre seu funcionamentos, visto que eles desafiam as leis da física que conhecemos hoje.

Um buraco negro é uma espécie de abismo cósmico que suga para si tudo o que se aproxima – a uma determinada distância – dele. Nem mesmo a luz escapa de ser atraída por esses objetos. Por isso que os buracos negros são, de fato, negros. E isso acontece porque a atração gravitacional desses corpos é extremamente forte.

“Um grande mal-entendido é que os buracos negros ‘sugam’ seus arredores. Isso não acontece: coisas podem cair em um buraco negro, mas apenas quando estão perto dele”, explica Jakob van den Eijnden, astrofísico e pesquisador na Universidade de Oxford.

Tipos

Existem três tipos catalogados pelos astrônomos: buracos negros estelares, buracos negros intermediários e buracos negros supermassivos.

Os buracos negros estelares são os menores. Eles são formados quando uma estrela massiva morre, numa explosão chamada de supernova. Geralmente têm uma massa (a quantidade de matéria de um objeto) entre 10 e 100 vezes maior que o Sol.

Já os intermediários – entre 100 e 100 mil vezes a massa do Sol – não são muito comuns. É tão difícil encontrá-los que alguns cientistas questionam se esses de fato existem. Mas no ano passado, um grupo pesquisadores apresentou um trabalho sobre a descoberta de um deles.

Por fim, os supermassivos habitam o centro da maioria das galáxias do Universo, e geralmente surgem após a formação de suas galáxias, engolindo tudo o que veem pela frente. Como o próprio nome sugere, eles são um dos objetos mais pesados do espaço, com massas que variam de milhões a bilhões de massas solares.

É um buraco?

NÃO, um buraco negro não é um buraco.

Albert Einstein previu pela primeira vez a existência de buracos negros em 1916, mas foi somente em 1967 que o termo foi cunhado pelo astrônomo americano John Wheeler.

O termo se refere ao fato de que tudo que é atraído pela força da gravidade para um buraco negro fica preso “dentro” dele e parece desaparecer, tal como num buraco.

“[Nos buracos negros] temos uma situação que nem a luz escapa. Então, a matéria vai ser atraída e vai cair como se estivesse caindo num buraco, numa caçapa. Por isso, esse nome buraco foi dado metaforicamente”, diz o astrofísico e docente da FEI, Cássio Barbosa.

O que há dentro?

Esse é um dos grandes mistérios da ciência. Nas palavras da cientista Andrea Gehz – que investiga buracos negros e foi uma das vencedoras do Nobel de Física de 2020 pelo seu trabalho – ninguém sabe. “Não temos nenhuma ideia do que há dentro do buraco negro – eles são o colapso do entendimento das leis da física”, declarou Gehz.

O astrofísico van den Eijnden explica que muitas coisas permanecem desconhecidas quando o assunto é buraco negro. Um campo de estudo ativo, por exemplo, é o que investiga o que acontece com um material quando ele cai num buraco negro: como é, quais são suas propriedades e por que parte desse material é lançado para o espaço na forma de jatos.

“De fato, esses processos que acontecem perto do horizonte de eventos são difíceis de observar e, portanto, pouco compreendidos”, observa o pesquisador.

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