Quarta-feira, 18 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de março de 2026
A Rússia informou nesta terça-feira (17) ter solidariedade inabalável a Cuba, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que espera ter a honra de “tomar Cuba” e que pode “fazer o que quiser” com a república insular comunista. Sem mencionar Trump explicitamente, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou séria preocupação com a escalada da tensão em torno do que chamou de “Ilha da Liberdade”.
“A Rússia reafirma sua solidariedade inabalável com o governo e o povo fraterno de Cuba”, disse o ministério.
“Condenamos veementemente as tentativas de interferência grosseira nos assuntos internos de um Estado soberano, a intimidação e o uso de medidas restritivas unilaterais ilegais.”
Trump intensificou a pressão econômica sobre Cuba, impondo um bloqueio de petróleo que prejudicou seu já obsoleto sistema de geração de energia.
O jornal The New York Times informou que a remoção do presidente cubano Miguel Díaz-Canel do cargo é um dos principais objetivos dos EUA. Citando quatro pessoas familiarizadas com as conversas, o Times disse que os norte-americanos sinalizaram a negociadores cubanos que Díaz-Canel deve sair, mas estão deixando os próximos passos a cargo dos cubanos.
O Kremlin disse estar em contato com a liderança cubana e que Moscou está pronta para fornecer toda a assistência possível.
“Hoje, a ilha enfrenta desafios sem precedentes, que se tornaram resultado direto do embargo comercial, econômico, financeiro e, mais recentemente, do embargo energético dos EUA contra Cuba”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
A Rússia disse que forneceu e continuará “a fornecer a Cuba o apoio necessário, incluindo apoio financeiro”. Os russos foram privados de um aliado quando os Estados Unidos derrubaram o líder venezuelano Nicolás Maduro, embora tenham se beneficiado dos altos preços do petróleo desencadeados pelo ataque dos EUA e de Israel ao Irã, um parceiro estratégico de Moscou.
Cuba foi um aliado próximo da Rússia por décadas após a revolução comunista de 1959, que levou Fidel Castro ao poder, até o colapso da União Soviética. Mais recentemente, Moscou apoiou a ilha com financiamento e bens materiais.
A mudança no governo da Venezuela foi fundamental para que Trump colocasse Cuba contra a parede. Após a captura de Maduro, em 3 de janeiro, os Estados Unidos passaram a impedir que Caracas enviasse petróleo ou dinheiro à ilha.
No fim daquele mês, Trump fez uma nova investida para aumentar a pressão. Por meio de decreto, autorizou tarifas contra qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba. A Casa Branca disse que a medida era necessária manter a estabilidade no Caribe.
“Os Estados Unidos têm tolerância zero para as atrocidades do regime comunista cubano e agirão para proteger a política externa, a segurança nacional e os interesses nacionais”, afirma a ordem assinada por Trump.
A medida foi vista como uma tentativa de sufocar a economia cubana. Ao mesmo tempo, o governo Trump acusou a ilha de se alinhar à Rússia, à China, ao Irã e a grupos terroristas e, por isso, representava uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
“Cuba é uma nação em crise, e é preciso ter pena do país”, disse Trump no dia seguinte à assinatura da ordem. “Parece algo que simplesmente não vai sobreviver. Acho que Cuba não vai sobreviver.”
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