Terça-feira, 23 de julho de 2024

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Voltar Ronaldinho Gaúcho nega ser fundador ou sócio da empresa 18k em depoimento à CPI das Pirâmides Financeiras

Ronaldinho Gaúcho negou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras, nesta quinta-feira (31), que seja fundador ou sócio da empresa 18k Ronaldinho Comércio e Participações Ltda, diferentemente do que vem sendo divulgado pelo colegiado.

“Eu nunca fui sócio da empresa 18k Ronaldinho Comércio e Participações Ltda. Os sócios de tal empresa são os senhores Raphael Horácio Nunes de Oliveira e Marcelo Lara Marcelino. Eles utilizaram indevidamente meu nome para criar a razão social dessa empresa”, afirmou. “Inclusive, já fui ouvido pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na condição de testemunha”, acrescentou.

Ele disse que, além de não ser sócio, jamais autorizou o uso de seu nome e imagem pela empresa e foi vítima dos sócios da empresa.

Segundo Ronaldinho, em 2016, foi realizado contrato com a empresa americana 18k Watch Corporation, para a criação de uma linha de relógios com a imagem dele. Já em julho de 2019, ele assinou contrato com a empresa brasileira 18k Watch Comércio Atacadista e Varejista de Negócios, de propriedade de Marcelo Lara, autorizando o uso de imagem para outros produtos além do relógio, mas esse contrato foi rescindido em outubro de 2019. “Esse contrato nem sequer chegou a ser executado”, alegou.

Conforme Ronaldinho, em 2020 chegou ao conhecimento do seu irmão, Roberto de Assis Moreira, que a sua imagem estava sendo usada, indevidamente, pela empresa 18k Ronaldinho Comércio e Participações Ltda, que fazia compra e venda de moedas bitcoins. “Nunca foi autorizado que essa empresa utilizasse meu nome e minha imagem”, reiterou.

Ronaldinho relatou que encontrou Marcelo Lara, sócio da 18k Ronaldinho, duas vezes, em dias de gravação das propagandas de relógio, e que nunca se encontrou com Rafael Horácio.

Silêncio

No início da sessão, o presidente da CPI, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), destacou que o jogador foi convocado à CPI por ter usado sua credibilidade para levar milhares de brasileiros a investir suas economias em uma empresa que prometia lucro fácil, claramente uma pirâmide financeira – a empresa 18k.

“O senhor acha que a acusação que o senhor responde no Ministério Público Federal, na Justiça, sobre a 18k Ronaldinho é sem fundamento?”, questionou o deputado. “Vou ficar em silêncio”, respondeu Ronaldinho.

Ronaldinho também ficou em silêncio quando questionado sobre a ação civil pública contra ele, cobrando o valor de R$ 300 milhões em danos morais e materiais aos prejudicados pela empresa.

Uso indevido de imagem

Já o relator da CPI, deputado Ricardo Silva (PSD-SP), que pediu a oitiva com o atleta, lembrou que o site da 18k Ronaldinho, em 2019, anunciava trabalhar com criptomoedas e prometia a seus clientes rendimentos de até 2% ao dia, baseados em operações com moedas digitais.

Em outubro de 2019, no entanto, a empresa foi apontada pelo Ministério Público Federal como pirâmide financeira. Na ocasião, Ronaldinho Gaúcho se defendeu afirmando que teve sua imagem usada indevidamente e que também teria sido lesado.

Sem processo

Ricardo Silva quis saber se Ronaldinho processou a empresa por uso indevido de imagem. Ronaldinho disse que o irmão dele cuidava dessas questões, e o deputado lembrou que, em seu depoimento à CPI, o irmão do ex-jogador afirmou que não havia entrado com ação.

O relator exibiu várias campanhas publicitárias de criptoativos em que Ronaldinho aparece, mas Ronaldinho novamente alegou que a empresa usou indevidamente as imagens feitas para as campanhas do relógio.

Defesa 

A deputada Carla Zambelli (PL-SP), que não é membro da CPI, defendeu o ex-jogador. Na visão dela, a CPI trazia Ronaldinho para depor, “para chamar a atenção da mídia” e aumentar a exposição de alguns deputados.

“Estão usando seu nome para aumentar a exposição, sem se preocupar se isso vai manchar a imagem de um atleta que fez o Brasil brilhar durante tantos anos”, criticou.

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