Terça-feira, 23 de julho de 2024

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Voltar Rivalidade entre assessores de Bolsonaro incendeia bastidores do inquérito das joias

Em uma das conversas captadas pela Polícia Federal (PF) nas mensagens de WhatsApp do tenente-coronel Mauro Cid, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação de Jair Bolsonaro Fabio Wajngarten comenta a possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) obrigar o ex-presidente a devolver as joias recebidas de presente da Arábia Saudita.

“Por isso era muito melhor a gente se antecipar”, diz Wajngarten. “Mas o gênio do [Marcelo] Câmara e Fred contaminam tudo”, afirma ele em referência ao advogado Frederick Wassef e ao coronel Marcelo Câmara, que naquele momento articulavam o “resgate” de um relógio Rolex de ouro branco e diamantes para devolver ao tribunal. “Burro demais. Contaminado”.

Até onde se sabe, foram essas mensagens que levaram a PF a convocar Wajngarten a depor nesta quinta-feira (31). O ex-ministro da Secretaria de Comunicação utilizou uma petição da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP) para ficar em silêncio, mas em seguida já começou a preparar uma ata notarial com o histórico das mensagens que, segundo ele, vão provar que ele só soube da venda das joias pela imprensa.

O que Wajngarten não diz, mas todo mundo no entorno de Bolsonaro sabe, é que a iniciativa visa blindar o ex-Secom de uma ameaça que Wassef vem fazendo sem cerimônia nos bastidores: de “acabar com Wajngarten”.

“Amigos em comum dos dois vêm relatando que Wassef diz nos bastidores que vai apontar o dedo para Wajngarten”, diz um dos personagens mais próximos do ex-presidente nessa investigação. “Vou me vingar”, teria dito Wassef, de acordo com relatos que chegaram inclusive a Wajngarten. Tudo porque Wassef vem atribuindo as reportagens recentes citando seu nome ao que chama de “vazamentos” e “plantações” do “corno judeu” contra ele.

O defensor do ex-presidente atribui a Wajngarten, por exemplo, a informação publicada pela jornalista Andréia Sadi na última segunda-feira (28), de que aliados de Bolsonaro teriam medo de gravações que Wassef costumava fazer de seus interlocutores.

Frederick também acusa Wajngarten de espalhar no entorno de Bolsonaro o ex-presidente o apelido “Wasséfalo”, em referência às suas últimas iniciativas no caso das joias.

Essa última rixa entre os dois é apenas uma de uma sequência que vem de longe, já produziu momentos tensos e gira em torno da disputa pela atenção e pela preferência do ex-presidente da República.

Já Wajngarten afirma que conheceu Wassef em um jantar de arrecadação de fundos promovido pelo empresário Meyer Nigri, diz que o desafeto é reconhecidamente leal a Bolsonaro e alega que os dois nunca brigaram. Mas, na sequência de mensagens que ele vai entregar à PF em uma ata notarial, deve constar que o ex-Secom bloqueou Wassef em agosto de 2022, ainda na campanha.

Por que ele não diz.

Mas, a interlocutores em comum, o ex-assessor de Bolsonaro afirma que Fred Wassef tem dificuldade de trabalhar em equipe e não cumpre os combinados.

 

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