Sábado, 07 de fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de fevereiro de 2026
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou uma resolução em que critica a política monetária praticada pelo Banco Central (BC), defende a queda da taxa básica de juros, hoje em 15% ao ano, e fala em rever a meta de inflação, hoje fixada em 3% ao ano.
O documento foi aprovado pelo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a primeira reunião do diretório nacional, em Salvador. Em nove páginas, a resolução também defende os indicadores econômicos do governo Lula.
“Acreditamos que é momento de reduzir a taxa de juros, que permanece em patamar restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento nacional. A política monetária conduzida pelo Banco Central, cuja autonomia foi instituída durante o governo Bolsonaro, tem operado como instrumento de bloqueio ao projeto eleito nas urnas, aprofundando a financeirização da economia, drenando recursos públicos e restringindo o investimento produtivo.”
A autonomia do Banco Central existe desde 2021. O atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, foi indicado pelo presidente Lula em agosto de 2024. Apesar do discurso crítico do presidente à atual taxa Selic, Galípolo tem resistido em defender cortes.
A resolução do PT ainda defende a revisão da meta de inflação, atualmente fixada em 3%. O documento diz que é “necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”.
Entre as agendas prioritárias do PT citadas na resolução também está o fim da chamada escala 6×1, que implica redução da jornada padrão de trabalho vigente no país, de 44 horas. Consta no documento, ainda, a garantia de “proteção social, renda justa e dignidade” a trabalhadores que atuam em aplicativos. Ambas as pautas estão na lista de prioridades da agenda legislativa do governo Lula para este ano, mas enfrentam a oposição organizada de entidades representativas de setores como a indústria e o comércio.
“Orientamos os Diretórios Municipais, Estaduais, Núcleos de Base e toda nossa militância, a construir um calendário nacional de mobilizações que articule a defesa do governo Lula, o enfrentamento à extrema direita e a disputa contra o projeto rentista-autoritário. Devem ganhar centralidade as lutas (…) das agendas que enfrentem a violência contra as mulheres, defendam a democracia, reduzam a jornada de trabalho, enfrentem a escala 6×1, ampliem direitos para trabalhadores por aplicativo e avancem na tarifa zero como política estruturante de justiça social”, diz o documento.
Quanto à bandeira da tarifa zero para o transporte público, deve ser uma das promessas de campanha de Lula neste ano. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vai deixar o cargo até abril para se dedicar à campanha do presidente à reeleição, já havia sido encarregado de estudos sobre o tema.
Na sexta-feira (6), em discurso à militância petista durante evento que comemora o aniversário do partido, em Salvador, o ministro citou o tema de maneira dúbia e incerta: “Não é uma coisa simples abdicar da tarifa para financiar um serviço público. Mas estamos trabalhando em cenários que permitirão ou não ao presidente incluir, ou não, essa proposta do seu plano de governo”, afirmou Haddad.
A pauta da tarifa zero é encarada com ceticismo por parte do governo, inclusive pela área técnica do Ministério das Cidades, ao qual está vinculada a Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana.
(Com O Globo)
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