Quinta-feira, 09 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 9 de abril de 2026
A manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado tem pressionado o caixa das empresas brasileiras e impulsionado o número de pedidos de recuperação judicial. Em 2025, 2.466 companhias recorreram à Justiça para renegociar dívidas e reestruturar operações, o maior volume desde o início da série histórica, em 2012, segundo levantamento da Serasa Experian.
O total representa alta de 13% em relação a 2024. Considerando os processos — que podem reunir mais de uma empresa de um mesmo grupo — foram 977 registros no ano passado, avanço de 5,5% na comparação anual e o maior nível em uma década.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o aumento chama atenção, especialmente quando analisado pelo número de empresas. Ainda assim, ela ressalta que a leitura combinada entre CNPJs e processos permite uma visão mais precisa do cenário.
O atual ciclo econômico difere do observado em 2016, quando o país registrou o pico de processos de recuperação judicial, com 1.011 casos, em meio a uma recessão profunda. Naquele período, inflação elevada e retração do Produto Interno Bruto (PIB) afetaram diretamente a solvência das empresas.
Agora, o quadro é de desaceleração econômica, com crédito mais caro devido à taxa de juros ainda elevada — atualmente em torno de 15% ao ano, apesar do início de um ciclo de cortes. “O custo financeiro alto dificulta a rolagem das dívidas e pressiona o fluxo de caixa das empresas”, avalia a economista.
Mesmo com a expectativa de redução da taxa básica ao longo do ano, as projeções indicam que os juros devem permanecer em patamar elevado, o que tende a manter o ambiente desafiador para o setor produtivo.
Entre os segmentos mais afetados, o agronegócio lidera os pedidos de recuperação judicial. Em 2025, foram 743 solicitações, o equivalente a 30,1% do total. O setor de serviços aparece na sequência, com 739 pedidos e participação de 30%.
Já o comércio registrou 535 pedidos (21,7%), enquanto a indústria somou 449 solicitações (18,2%), ambos com perda de participação em relação ao ano anterior.
A expansão do agronegócio ao longo dos últimos anos ajuda a explicar sua maior presença nas estatísticas. Em 2012, o setor representava apenas 1,3% dos pedidos de recuperação judicial. Em pouco mais de uma década, passou a concentrar quase um terço do total.
Segundo analistas, o desempenho reflete tanto o peso crescente do setor na economia quanto sua exposição a riscos específicos, como variações climáticas, oscilações nos preços internacionais e aumento de custos, especialmente com insumos como fertilizantes.
Esses fatores têm pressionado as margens e levado empresas a recorrer à recuperação judicial como forma de reorganizar passivos. Os dados consideram apenas pedidos feitos por pessoas jurídicas, embora mudanças recentes na legislação também tenham ampliado a possibilidade de produtores rurais pessoa física recorrerem ao mecanismo.
O cenário reforça o impacto do ambiente de juros elevados sobre a atividade econômica e indica que o número de empresas em dificuldade financeira deve seguir em patamar alto no curto prazo.
(Com O Estado de S.Paulo)
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