Domingo, 23 de junho de 2024

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Voltar Recado para os Estados Unidos: Israel diz que tempo para evitar conflito com o Líbano está perto do fim

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, alertou autoridades dos Estado Unidos de que é cada vez mais curto o tempo para evitar um conflito mais amplo com o movimento xiita Hezbollah no Líbano após a morte do número 2 da ala política do grupo fundamentalista palestino Hamas no sul de Beirute na terça-feira — ambos os grupos são aliados do Irã. A advertência foi feita pouco antes de o secretário de Estado americano, Antony Blinken, realizar seu quarto giro pelo Oriente Médio desde o início do conflito entre Israel e Hamas, há quase três meses, para tentar evitar que a crise se espalhe para outros países da região.

Em uma reunião na quinta-feira com Amos Hochstein, um dos principais conselheiros do presidente Joe Biden, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou que, embora a preferência seja por uma saída negociada com o Líbano, a chance disso era cada vez menor após meses de escaramuças e trocas de disparos de artilharia com o Hezbollah na fronteira entre os dois países.

“Estamos numa encruzilhada. Preferimos um acordo diplomático, mas o prazo para alcançá-lo é curto”, disse Gallant ao enviado americano, segundo uma declaração tornada pública pelo ministério.

De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM), 76 mil pessoas abandonaram suas casas no lado libanês da fronteira para fugir da troca de hostilidades.

Apelo por dissuasão

Blinken tem paradas confirmadas em Israel, Cisjordânia, Egito, Grécia, Turquia e outros quatro países árabes. De acordo com o Departamento de Estado americano, a prioridade do diplomata é conseguir um compromisso de aliados e de outros países da região para que usem sua influência para dissuadir qualquer escalada do conflito. Em uma entrevista coletiva na quinta-feira, o porta-voz Matthew Miller afirmou haver um “risco real” e uma “preocupação grande” com essa possibilidade.

O cenário para a visita do diplomata é mais complexo que o das agendas anteriores. Após incidentes no Irã, Iraque, Líbano e no Mar Vermelho — nem todos diretamente relacionados à guerra em Gaza, mas que adicionam camadas de tensão a um contexto regional com atores interligados —, a retórica bélica virou o tom de líderes da região.

Hezbollah

No lado libanês da fronteira, o Hezbollah prometeu vingar-se da morte de Saleh al-Arouri, vice da ala política do Hamas, e classificou o ataque a Beirute como um marco perigoso. Em um discurso na noite de quarta-feira, Hassan Nasrallah, líder do movimento xiita, afirmou que enfrentará qualquer conflito mais amplo com Israel.

“Se o inimigo considerar travar uma guerra contra o Líbano, nossa batalha não terá fronteiras nem regras. Não temos medo da guerra. Aqueles que pensam em entrar em guerra conosco vão se arrepender. A guerra conosco terá um custo muito, muito, muito alto; o crime de ontem (terça-feira) não ficará impune”, disse.

Tensão com o Irã

A tensão regional também escalou rapidamente no Irã após um atentado terrorista contra uma procissão perto do túmulo do general Qassem Soleimani deixar dezenas de mortos. Embora o ataque na cidade de Kerman, a cerca de 800 Km ao sul de Teerã, tenha sido reivindicado pelo Estado Islâmico, inimigo do regime xiita dos aiatolás, autoridades do país se anteciparam em culpar EUA e Israel pelo massacre.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, prometeu retaliar os “inimigos” do Irã em um discurso nessa sexta-feira perante uma multidão em luto durante o funeral das vítimas do atentado. Enquanto Raisi prometia demonstrar o poder e as capacidades bélicas do país, afirmando que as Forças Armadas decidiriam “quando e onde” fazer isso, uma multidão gritava “morte à América” e “morte a Israel”, segundo noticiou a rede catari Al-Jazeera.

No giro pelo Oriente Médio, Blinken também deve endereçar a questão dos ataques dos rebeldes houthis — uma milícia apoiada pelo Irã que atua no Iêmen — a embarcações mercantes no Mar Vermelho. A preocupação com os atos já é uma das principais repercussões externas do conflito em Gaza, prejudicando uma das principais rotas de comércio marítimo entre Ásia, África e Europa.

Plano pó-guerra

Paralelamente ao temor de escalada regional, o ministro da Defesa israelense esboçou um plano preliminar para o pós-guerra na Faixa de Gaza. Conforme as linhas-gerais apresentadas, a ideia é que o enclave palestino fique livre para se autogerir sem a presença do Hamas e de uma administração civil israelense ao fim do conflito.

“O Hamas não governará Gaza, [e] Israel não governará os civis de Gaza. Os habitantes de Gaza são palestinos. Consequentemente, entidades palestinas estarão encarregadas [da gestão] na condição de que não haja nenhuma ação hostil, ou ameaça, contra o Estado de Israel”, disse Gallant.

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