Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Voltar Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bilhões

Os custos decorrentes da liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, já ultrapassam R$ 50 bilhões, segundo estimativas com base em dados oficiais e balanços divulgados até o momento. O valor total das perdas ainda é considerado incerto, uma vez que investigações seguem em andamento para apurar prejuízos adicionais a bancos públicos, fundos de pensão e empresas privadas.

A maior parte do impacto financeiro recai sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido por contribuições das próprias instituições financeiras. O fundo deverá desembolsar cerca de R$ 46,9 bilhões para ressarcir clientes do Banco Master e do Will Bank que possuíam aplicações com cobertura dentro do limite de até R$ 250 mil por CPF. Desse total, R$ 40,6 bilhões correspondem ao conglomerado Master e outros R$ 6,3 bilhões ao Will Bank, que também teve liquidação decretada.

Além do impacto ao FGC, prejuízos relevantes envolvem o Banco de Brasília (BRB). O Banco Central determinou que a instituição pública provisione R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas, cujo valor original somava R$ 12,2 bilhões. Até a decretação da liquidação do Master, o BRB já havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões. O banco ainda avalia se será necessário realizar aportes adicionais. Reportagens indicam que o Master utilizou fundos com empréstimos inadimplentes e imóveis ligados à família Vorcaro para honrar parte dos pagamentos ao BRB.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição não corre risco de quebra nem de liquidação. Ele assumiu o cargo em novembro, após a saída de Paulo Henrique Costa, afastado e posteriormente demitido depois de se tornar alvo de investigação da Polícia Federal.

Fundos de pensão estaduais e municipais também aparecem entre os principais afetados. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que institutos de aposentadoria aplicaram mais de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Esses títulos não contam com a garantia do FGC. O Ministério Público investiga aplicações em ao menos seis estados.

O caso mais expressivo envolve o Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro, que investiu cerca de R$ 970 milhões nos papéis do banco. Em janeiro, a Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão em endereços ligados a executivos do fundo, e o então diretor-presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, foi exonerado.

No Amapá, a Amprev direcionou cerca de R$ 400 milhões para títulos do Master. O Ministério Público estadual apura se as aplicações estavam de acordo com a política de investimentos do órgão. Já no Amazonas, o Ministério Público investiga possíveis irregularidades em aportes do Amazonprev, em procedimento que tramita sob sigilo.

Empresas privadas e estatais também divulgaram exposição ao conglomerado financeiro. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) adquiriu cerca de R$ 220 milhões em letras financeiras do Master. A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) detém R$ 140 milhões em CDBs emitidos pelo Letsbank, enquanto a Oncoclínicas informou possuir R$ 433 milhões em CDBs do Banco Master. Já o fundo XP Private Equity I declarou exposição de R$ 73,5 milhões, por meio de investimento indireto.

O volume e a diversidade das perdas reforçam a dimensão da crise provocada pela quebra do Banco Master, que segue gerando desdobramentos judiciais, regulatórios e financeiros em diferentes setores da economia.
(Com Folhapress)

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