Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 23 de fevereiro de 2026
Quando Vladimir Putin lançou a maior invasão terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, no dia 24 de fevereiro de 2022, o presidente russo esperava tomar Kiev, a capital da Ucrânia, em dois dias. Um ataque relâmpago para mostrar ao mundo a força de uma Rússia que retornava ao seu lugar entre as grandes potências e que daria força ao discurso neoimperial do Kremlin.
Quatro anos depois, o país conquistou 20% da Ucrânia, mas o governo local ainda resiste com o apoio de aliados, mesmo sob violentos bombardeios contra civis e sangrentas batalhas terrestres. A economia de guerra russa dá sinais de cansaço e terá problemas para se adequar aos tempos de paz.
Mais de um milhão de soldados foram mortos, feridos ou presos, e o retorno de milhares de veteranos preocupa as autoridades. E sem um acordo que viabilize suas demandas maximalistas de anexação do país vizinho — ou uma vitória para apresentar aos russos (e ao mundo) — o projeto de liderança global de Putin começa a se esfarelar.
“No atual momento da guerra, a situação pode parecer mais favorável a Putin, deixando a impressão de que o projeto inicial de dominar a Ucrânia, inclusive territorialmente, está perto de acontecer”, afirmou Angelo Segrillo, professor de História Contemporânea na Universidade de São Paulo.
Em abril de 2022, o país se tornou o segundo a ser suspenso do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Sob ameaça de boicote, Putin decidiu não ir à cúpula do G20 na Indonésia, meses depois. No ano seguinte, o líder russo foi alvo de uma ordem internacional de prisão, emitida pelo Tribunal Penal Internacional, que limitou ainda mais sua lista de destinos: não foi a cúpulas do G20 em Índia, Brasil e África do Sul, só participou de uma reunião do Brics em 2024, quando ela foi realizada em Kazan, e escolheu apenas nações que não fazem parte do tribunal para visitas oficiais (a exceção foi a Mongólia, aliada da Rússia e que escolheu não prender Putin).
Políticos ocidentais passaram a ser visão rara em Moscou, e países aliados, como o Brasil, limitaram o contato: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com Putin apenas uma vez nos últimos quatro anos, em maio do ano passado, em Moscou. No mesmo período, Lula se reuniu com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com quem nutriu divergências, duas vezes.
“A Rússia imaginou que consolidaria um poder mais significativo, inclusive em termos territoriais, e que conseguiria se projetar no cenário global, voltando a frequentar o espaço que ocupou por tantas décadas entre as grandes potências, mas a realidade é bem diferente”, explicou Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Uma luz no fim do túnel foi a eleição de Donald Trump nos EUA, em 2024. O republicano não esconde sua admiração por Putin e dizia ser favorável às suas demandas, incluindo a cessão de territórios ocupados. Mas o Kremlin não contava com a imprevisibilidade trumpista: o desdém por Zelensky caminhou ao lado de ameaças de realizar novos testes de armas nucleares. Assim como deu a Putin um palanque no Alasca, aplicou sanções duras ao setor petrolífero russo e pressiona por um acordo de paz, ainda longe de ser finalizado. A normalização de relações, por enquanto, é mais simbólica do que prática.
Enquanto o Ocidente reduziu os vínculos econômicos, cortando compras de petróleo e gás e retirando suas empresas do país, a “amizade sem limites” com a China se tornou um pilar da guerra do Kremlin. O mercado chinês é o destino de commodities e fonte de produtos de maior valor agregado, como máquinas pesadas e itens de alta tecnologia. (Com informações do jornal O Globo)
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