Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Voltar PT pressiona o ministro da Fazenda para “vencer eleição” e ele reage à presidente do partido e diz não ser verdade que déficit público faz a economia crescer

A meta de déficit zero para 2024 voltou a provocar divergências no PT. Na conferência eleitoral do partido, o ministro da Fazenda Fernando Haddad defendeu o controle de gastos diante dos ataques da presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, e do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Haddad e Gleisi discordaram sobre a relação entre o resultado primário e o crescimento da economia. Haddad disse não haver correspondência entre déficit e avanço do PIB. Gleisi criticou a meta zero e defendeu a flexibilização. O partido está de olho nas eleições de 2024 e teme os efeitos do ajuste fiscal.

Haddad citou o exemplo das gestões anteriores de Lula, em que houve superávit primário de 2% e a economia cresceu, em média, 4%.

“Não é verdade que déficit faz crescer. De dez anos para cá, a gente fez R$ 1,7 trilhão de déficit e a economia não cresceu. Não existe essa correspondência.” Gleisi afirmara, mais cedo, que o déficit de 2023 se aproximava de 2%. Mais tarde, Guimarães discursou e fez coro com Gleisi, deixando clara a razão: “Se tiver que fazer déficit, vamos fazer, ou a gente não ganha a eleição”.

Lindbergh

O deputado Lindbergh Farias (RJ), integrante da ala do PT que critica em público a meta de zerar o rombo das contas públicas ano que vem, foi às redes sociais nesse domingo (10), para rebater declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre contas públicas e crescimento da economia. O chefe da equipe econômica discordou da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e disse não ser verdade que o déficit fiscal gera crescimento econômico.

Na rede social X (antigo Twitter), o deputado chamou a fala de Haddad de “sofisma”. “De fato, déficits aparecem com mais frequência em momentos de desaceleração econômica. Agora, é inquestionável que estímulos fiscais em situações de baixo crescimento, como devemos enfrentar em 2024, têm sim um papel enorme no crescimento do PIB”, escreveu Lindbergh.

Reforçando o discurso da ala do governo que teme que o déficit zero pretendido pela Fazenda leve a bloqueios de emendas e investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento em 2024, quando ocorrem as eleições municipais, o parlamentar, que é companheiro de Gleisi, afirmou que a meta de Haddad pode levar a um contingenciamento de R$ 53 bilhões em obras do PAC.

“Vamos cortar Minha Casa Minha Vida? Cortar investimentos públicos? Não é o déficit que gera crescimento. São os investimentos possibilitados, os empregos contratados que geram. Qual o problema de termos um déficit em 2024 para garantir investimentos e renda e impulsionar o CRESCIMENTO SIM da economia. O déficit dos EUA está em -5,5, França-3,3, Alemanha, -2,1″, escreveu o deputado.

Lindbergh também fez referência a uma declaração de Gleisi para defender que o “sucesso do governo Lula” será buscado com outro tipo de meta, a de crescimento médio de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.

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