Domingo, 22 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 13 de fevereiro de 2026
A identificação de transações financeiras e trocas de mensagens entre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro intensificou a tensão entre integrantes da Corte e a Polícia Federal nas investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
Nos bastidores, investigadores avaliam que decisões adotadas pelo ministro ao longo do processo teriam impactado o andamento das apurações. A avaliação circula entre membros da corporação e autoridades que acompanham o caso, em meio a um ambiente descrito como de forte desgaste institucional.
Segundo relatos colhidos junto a integrantes dos Três Poderes, há preocupação com o agravamento da crise dentro do próprio Supremo. Desde que Toffoli determinou a remessa do caso à Corte, no fim do ano passado, o episódio passou a concentrar embates sucessivos. Na noite de quinta-feira (12), o ministro solicitou a redistribuição da relatoria, deixando formalmente o caso.
A leitura predominante em Brasília é de que a investigação do Banco Master desencadeou uma escalada de tensão, com reações políticas e institucionais que extrapolaram os limites do processo original. O cenário é descrito como de enfrentamento indireto entre setores da PF e do Judiciário, com reflexos também em estados onde há desdobramentos da apuração.
Em nota, Toffoli afirmou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. O ministro declarou ainda que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
A pressão sobre a Polícia Federal aumentou após operação recente que teve como alvos aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Amapá. A partir daí, passaram a circular críticas de que a corporação estaria avançando sem a devida contenção institucional. Paralelamente, ganhou força a discussão sobre supostos vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao inquérito do Banco Master. A defesa de Vorcaro, inclusive, solicitou ao Supremo apuração sobre a divulgação de dados protegidos por segredo de Justiça.
Na última segunda-feira (9), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com mensagens extraídas do celular de Vorcaro. No documento, há diálogos entre o empresário e seu cunhado que mencionam pagamentos destinados à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. O ministro confirmou participação societária na empresa, que foi uma das proprietárias do resort Tayayá, no Paraná.
Investigadores ouvidos sob reserva afirmam que a eventual comprovação de repasses poderia embasar questionamentos formais sobre a imparcialidade do ministro. Uma das preocupações manifestadas nos bastidores era a possibilidade de que eventual reconhecimento de suspeição levasse à anulação de atos processuais já praticados.
Ao decidir pela redistribuição do caso, o STF afastou a hipótese de suspeição, mantendo válidas as decisões tomadas por Toffoli enquanto esteve à frente da relatoria.
Outro ponto de tensão envolve a guarda e o acesso ao material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, Toffoli determinou que as provas fossem lacradas e permanecessem sob custódia do STF. Posteriormente, autorizou que o material fosse encaminhado à Procuradoria-Geral da República. Nos corredores da Polícia Federal, o tema é tratado com cautela, e não há confirmação pública detalhada sobre o acesso dos peritos ao conteúdo.
Em meio ao agravamento da crise, interlocutores em Brasília alertam que o episódio pode ampliar críticas ao Supremo e ser explorado politicamente por adversários da Corte. Após reunião que formalizou a saída de Toffoli da relatoria, os ministros divulgaram nota manifestando “apoio pessoal” ao colega e ressaltando “a inexistência de suspeição ou de impedimento”. O texto destacou que a redistribuição ocorreu por iniciativa do próprio magistrado, levando em conta “os altos interesses institucionais”.
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