Quinta-feira, 12 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 10 de março de 2026
A pesquisa divulgada pelo Datafolha no fim de semana confirmou o cenário delineado pelo conjunto de levantamentos realizados desde fevereiro, com um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente do PT, Edinho Silva, atribui o resultado à força com a qual a pauta da corrupção entrou na pré-campanha presidencial, a partir das investigações da fraude do INSS e do Banco Master. “Quando cria o ambiente antissistema, quem perde é o status quo. E a representação máxima do status quo é o presidente”, diz.
A primeira etapa da reação defendida pelo PT é a resposta pública do filho do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que mora na Espanha, às acusações de que teria recebido dinheiro de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”. “Ele tem que chamar uma coletiva de imprensa e dizer que não tem nenhum envolvimento nisso”, diz Edinho. A defesa de Lulinha, no entanto, afirma que o empresário está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e nega qualquer tipo de irregularidade.
A segunda etapa já não parece tão clara, uma vez que a fonte maior de desgaste vem do envolvimento com o Master dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja proximidade com o Executivo foi selada pelo inquérito do golpismo. O presidente do PT defende vagamente uma “reforma do Judiciário” e mantém distância do código de ética, defendido pelo ministro Edson Fachin.
Se a corrupção caiu no colo de Lula, o aperto no poder de compra dos brasileiros, pela redução no ritmo de crescimento do consumo das famílias, não dá sinais de que venha a ser revertido com o impacto da guerra do Irã sobre a inflação, que já levantou dúvidas sobre a reunião do Conselho de Política Monetária do dia 18. “Não há nenhum indicador da economia indicando que o Brasil não esteja pronto para entrar num ciclo de redução da taxa de juros”, diz.
Edinho Silva afirma ainda que a chance, entre zero e dez, de que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) permaneça onde está é “11”. Sugere, ainda, que, além da defesa do fim da jornada 6×1 e da desconstrução de Flávio Bolsonaro – (“Ele não é um copo vazio e o PT terá que mostrar o que tem dentro desse copo”) —, se assistirá a uma reprise do discurso contra o fascismo, a exemplo do que aconteceu em 2022. “O fascismo está em ascensão no mundo inteiro e seria muita pequenez fazer discurso só com aquilo que o eleitor quer ouvir”, diz.
No domingo (8), antes de se dirigir ao ato em homenagem ao dia das mulheres, o presidente do PT recebeu o Valor num hotel no centro de São Paulo. A seguir, trechos da entrevista:
O Datafolha mostra Flávio muito próximo de Lula no primeiro turno e em empate técnico no segundo. O que o PT vai mudar na estratégia?
Com a polarização, qualquer candidatura que ocupasse o outro polo cresceria muito rápido. A sociedade está cristalizada. Vai ganhar a eleição quem avançar no campo do adversário. Não tinha dúvidas de que o Flávio cresceria rápido. Ele herda a estrutura do PL, monta uma estrutura de campanha muito forte, com estruturas de comunicação e jurídicas fortes.
O PT errou na avaliação ao torcer para que o Flávio fosse o candidato? O partido aguarda o prazo de desincompatibilização para afastar o risco de uma candidatura de Tarcísio e começar a bater no senador?
Nunca torci porque achava que ele era o candidato mais fácil de herdar o bolsonarismo. Ele tem Bolsonaro no nome. Se a gente entrar no modo campanha agora, antecipa muito o processo eleitoral. É um erro brutal. Vejo manifestações de publicitários de campanha, analistas e blogueiros… Nós somos governo e só nós podemos governar. Se entramos na pancadaria, não vamos governar. Temos que intensificar a estratégia de comunicação para que a sociedade entenda o que o governo Lula está fazendo. E não entrar na linha que eles estão propondo, de pancadaria, ataque, ‘fake news’. Com informações do Valor Econômico.
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