Quinta-feira, 18 de julho de 2024

Quinta-feira, 18 de julho de 2024

Voltar Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, diz a empresários que juro alto não é problema só do banco

Em encontro com empresários do Grupo Esfera, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que os juros elevados no Brasil têm várias razões e trata-se de um problema de todos, governo, sociedade, e Banco Central. Ele afirmou que o crédito direcionado no País, incluindo o subsidiado, chega a 42%, enquanto o segundo colocado tem apenas 20%, o que reduz a potência da política monetária.

Também afirmou que o Brasil tem um problema estrutural para cortar despesas, que vem de outros governos.

“O problema dos juros é de todos, do BC, da sociedade, do governo. A taxa de juro real é alta, mas tenho 42% de crédito direcionado, não só do BNDES. Se eu tiver mais crédito livre, a potência da política monetária aumenta e o juro é mais baixo. Se quer dar crédito subsidiado para todo mundo, a taxa será mais alta. E o país tem um problema estrutural para cortar despesas. O BC é só parte da solução, mas tem que ter participação do Ministério da Fazenda, Congresso”, afirmou, lembrando que a taxa de juro real mas é a mais baixa dos últimos 15 anos na comparação com outros países emergentes.

Ele afirmou que a reforma administrativa, por exemplo, poderia ajudar a cortar a despesa obrigatória do governo como aconteceu em outros países.

Campos Neto ouviu reclamações de diferentes setores, da construção civil, à coleta de lixo e do agronegócio, sobre falta de crédito e de juros elevados, cenário que inviabiliza investimentos na produção. Campos Neto respondeu que nenhum Banco Central quer juros altos, mas é preciso observar o que é sustentável em relação ao combate à inflação.

“O custo de combater a inflação é elevado, mas o de não combater é mais alto ainda”, disse.

Campos Neto afirmou que se o BC não elevasse a taxa de juros, com a memória inflacionária, o Brasil poderia ter atualmente um nível de inflação semelhante ao de países vizinhos, como a Colômbia, que está em 12%. O presidente do BC disse que a autoridade monetária tenta suavizar o ciclo de alta porque sabe que isso causa impacto no setor produtivo.

“Tentamos causar o menor impacto possível”, afirmou Campos Neto.

Ele disse que a inflação alta cria mecanismos de indexação e citou o exemplo da Argentina, com aumento de pobreza brutal, causado por inflação descontrolada.

“É um imposto maligno que incide mais sobre quem tem menos recursos. Quem tem mais recursos, se protege”, observou.

Ele disse que a oferta de crédito deve crescer entre 7% e 8%, segundo projeções do BC, o que é um pouco acima de outros países emergentes. Campos Neto disse que a autoridade monetária está olhando o que está acontecendo no crédito e se há alguma ruptura. Ele lembrou, entretanto, que o cenário é diferente da crise econômica de 2014 e 2015, quando o crédito nominal encolheu.

Campos Neto defendeu maior “funding” (fonte de recursos) do mercado para direcionar ao pequeno e médio empresário. Mas lembrou que, com a pandemia e a alta dos juros, o país adiou na trajetória de oferecer mais crédito privado, inclusive internacional.

O presidente do BC disse nunca vamos ter um sistema de crédito infalível, mas o país caminha para ter mais transparência em tudo. Ele disse que o BC tem um sistema com dados em que os bancos conseguem ver a concentração de crédito em uma determinada empresa e isso poderia ter evitado casos como o da Americanas. Campos Neto defendeu que tecnologia e digitalização são instrumentos para que o país mude de patamar em relação à transparência numa velocidade exponencial.

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