Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 1 de agosto de 2026
Impulsionada mais uma vez pelo preço elevado do petróleo, a arrecadação federal somou R$ 264,4 bilhões em junho. O número representa alta real (descontada a inflação) de 7,72% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Receita Federal. Foi o maior resultado para meses de junho da série histórica, iniciada em 1995, em valores já atualizados pela inflação. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a arrecadação atingiu R$ 1,58 trilhão, alta real de 6,63% e também a maior da série para o período.
Segundo o Fisco, a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) cresceu, sempre em termos reais, 20,4% em junho, ante o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 33,2 bilhões. O efeito é decorrente dos preços do petróleo.
Já a cobrança do imposto de exportação sobre combustíveis respondeu por R$ 3,8 bilhões da arrecadação federal de junho. No ano, esse tributo gerou R$ 4,8 bilhões aos cofres públicos. O governo estimou arrecadação de R$ 15,6 bilhões em quatro meses com o imposto.
A tributação de 12% sobre as exportações de petróleo bruto foi criada neste ano como parte do pacote de medidas para compensar a perda de receitas decorrente dos subsídios aos combustíveis. Em 9 de julho, o governo federal decidiu prorrogar por até 60 dias esse imposto, no mesmo patamar de alíquota.
O economista da XP Tiago Sbardelotto espera que a recente moderação dos preços de petróleo e o crescimento mais fraco da atividade econômica reduzam o ritmo de alta da arrecadação nos próximos meses. “Vemos uma desaceleração gradual, mas mantendo a expansão das receitas acima da média histórica”, afirma.
Ele avalia que uma arrecadação mais forte será essencial, mas ainda insuficiente para que o governo cumpra sua meta de resultado primário, “que dependerá de receitas adicionais com dividendos e participações na produção de petróleo”, diz. O centro da meta é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas a banda de tolerância admite um déficit zero para o ano. Além disso, não entram no cálculo despesas como precatórios, o que faz com que na prática o governo federal possa ter um déficit efetivo e ainda assim cumprir a meta.
Em nota, o economista Fábio Serrano, do BTG Pactual, afirma que “a arrecadação segue forte”, como fruto “da combinação entre choque do petróleo, atividade econômica resiliente (ainda que desacelerando) e medidas tributárias aprovadas nos últimos anos”. Segundo ele, os números estão em linha com o cenário de cumprimento da meta de resultado primário de 2026.
Durante a entrevista coletiva para detalhar os números, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, foi questionado sobre a decisão do governo de manter a previsão de arrecadar R$ 15,24 bilhões com a retenção do Imposto de Renda (IR) sobre dividendos entre julho e dezembro. A medida gerou apenas R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre, segundo os dados divulgados na semana passada no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Ele afirmou que, como não houve mudanças nos parâmetros e nas premissas que embasaram a estimativa, não havia fundamento técnico para revisar a projeção.
O governo previa arrecadar R$ 28 bilhões com o IR sobre dividendos, número que já não será mais alcançado. Pela própria projeção da equipe econômica, o governo vai arrecadar no máximo R$ 17,2 bilhões.
A medida foi desenhada para compensar a perda de arrecadação decorrente da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e da concessão de um desconto parcial para contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350.
Segundo Malaquias, até o momento, não foi identificado nenhum elemento que justificasse a revisão da estimativa na arrecadação, que é reavaliada periodicamente. Nem mesmo a arrecadação de apenas R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre seria suficiente para embasar uma mudança, já que a distribuição de dividendos não ocorre de forma linear ao longo do ano, de acordo com ele. Com informações do Valor Econômico.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.