Quinta-feira, 26 de maio de 2022

Quinta-feira, 26 de maio de 2022

Voltar Prato feito sobe 23,5% nos últimos 12 meses no País e supera a inflação

O prato feito, geralmente composto de carne, arroz, feijão, batata e salada, sofreu alta de 23,5% nos últimos 12 meses no Brasil. Segundo estudo do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), o PF, como é conhecido popularmente, aumentou bem mais que a inflação medida no mesmo período, que foi de 10,3% pelo IPC-M (Índice de Preço ao Consumidor – Mercado) e de 12% pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo).

O estudo é realizado com base na avaliação de dez itens básicos: arroz, feijão-carioca, feijão-preto, alface, batata-inglesa, cebola, tomate, frango em pedaços, ovos e carnes bovinas. De todos eles, o que mais aumentou foi o tomate (126%).

Dos dez itens, apenas o arroz (-10,5%) e o feijão (-3,4%) sofreram deflação, ou seja, queda nos preços. Segundo Matheus Peçanha, economista do Ibre, esses grãos estavam com o preço inflacionado por causa da seca provocada pelo fenômeno natural La Niña, que ocorreu no último ano. “Passado esse problema, o regime de chuvas voltou ao normal, ou até em excesso, e então a produção também normalizou”, explica.

Os preços do arroz e do feijão, apesar da deflação registrada nos últimos 12 meses, ainda estão mais altos do que antes, no período pré-pandemia, em 2019. “Se comparar os 24 meses, a deflação não é suficiente para chegar no período pré-pandemia, então feijão e arroz ainda estão mais caros. Mas, como existem muitas safras em um ano só, é normal que o preço volte ao patamar mais justo.”

Nos 12 meses imediatamente anteriores, de maio de 2020 a abril de 2021, o arroz havia subido 55%, e o feijão, 61%, sobretudo pelo problema da seca.

Sobre a alta do tomate, que mais que dobrou de preço, o economista explica que “os hortifrútis sofrem [com o regime de chuvas] de um modo geral. A cenoura [200%] e o tomate são a bandeira dessa inflação. Esse regime de chuvas afetou as regiões que produzem os hortifrútis, como a da mata mineira”.

Ele diz que esses produtos, por terem safras muito rápidas, têm suas ofertas alteradas em prazos muito curtos e acabam desestabilizando os preços. O mesmo deve acontecer, ainda que em menor ritmo, quando o regime de chuvas se estabilizar, o que deve acontecer a partir do inverno.

As proteínas, como o frango e a carne bovina, demoram um pouco mais para sentir mudanças na oferta, o que pode explicar, segundo Peçanha, a desaceleração da carne em relação ao frango. “Aquela seca afetou mais o gado bovino porque se alimenta de pastagem. Com a melhoria da seca, a questão do gado melhorou, mas, no geral, os impactos desse clima demoram mais para chegar nas proteínas. Além disso, [a desaceleração] pode estar ligada aos embargos da China à carne brasileira, ainda no ano passado, já que os dados são dos últimos 12 meses.”

As perspectivas de melhora da inflação dos produtos relacionados ao prato feito são boas, já que, a partir do inverno, o regime pluvial deve se normalizar, ainda que haja a preocupação com o estoque de fertilizantes e adubo, devido à guerra entre Ucrânia e Rússia. “Apesar de o Ministério da Agricultura ter garantido que temos estoque, esse problema [da inflação] pode acontecer via escassez de fertilizante e adubo”, conclui.

O IPCA do mês de abril, índice que mede a inflação oficial, sai nesta quarta-feira (11) e será divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA-15, que mede a prévia da inflação, saiu em 27 de abril e registrou 1,73%, a maior taxa para o mês em 27 anos. Nos últimos 12 meses, a inflação superou os 12%, ainda segundo o IBGE.

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