Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 20 de março de 2026
A Polícia Federal (PF) analisa ordens de pagamentos e citações a transações financeiras encontradas em mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Fabiano Zettel, seu cunhado, que envolvem menções a políticos. A intenção é verificar se há algum indício de irregularidade nesses repasses que possam justificar coletas de mais provas e, eventualmente, gerar novas fases da Operação Compliance Zero.
As citações nas mensagens e os dados de quebras de sigilo devem se juntar a outros elementos que permitirão o avanço das investigações, como eventuais delações premiadas de investigados, inclusive do próprio Vorcaro, que assinou termo de confidencialidade para avançar na colaboração.
Zettel é apontado como o principal operador financeiro do ex-banqueiro e a análise da rede financeira ligada a ele é vista na PF como peça central para a abertura de novos flancos nas investigações do Master. A partir de um cruzamento entre o diálogo dele e de Vorcaro e das movimentações financeiras obtidas nas quebras de sigilo, a polícia tenta identificar se, de fato, esses pagamentos ocorreram.
Se sim, irão avaliar se eles são legítimos —e têm relação com alguma prestação de serviço— ou se há indícios de irregularidades. A apuração tenta descobrir, por exemplo, se algum desses pagamentos foi feito ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujo nome aparece em trocas de mensagens.
Procurado por meio da assessoria, Ciro Nogueira disse em nota que “reafirma que jamais recebeu qualquer pagamento de Daniel Vorcaro ou pessoas ligadas ao empresário”.
“Sobre o Fabiano Zettel, mencionado pela reportagem, ressalte-se que o senador Ciro sequer o conhece.” O senador diz que “está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal que, seguramente, irão esclarecer os fatos e revelar a verdade”.
Já há suspeitas de crimes financeiros em fundos de Zettel ligados ao resort Tayayá, do qual uma empresa da família do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal) foi sócia. A empresa vendeu uma parte de suas cotas no resort ao fundo Arleen, ligado à teia fraudulenta do Master. Toffoli tem negado a interlocutores que conheça Zettel. Em fevereiro, ao deixar a relatoria do caso, disse em nota pública que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
Zettel foi preso duas vezes. A primeira delas, de forma temporária, por ordem de Dias Toffoli em 14 de janeiro. A segunda, em março, já com a operação sob a supervisão de André Mendonça.
Atualmente, ele está no Presídio Federal de Brasília, no Complexo da Papuda, mesmo local no qual Vorcaro esteve preso antes de ser transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília para discutir os termos da sua delação premiada. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)
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