Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 22 de janeiro de 2026
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) até o momento não foram procuradas, nem de maneira formal nem informal, para tratar de uma eventual proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. Não houve, portanto, nenhuma movimentação concreta sobre o assunto. Nos bastidores, a atual equipe de defesa de Vorcaro afirma ser contra uma proposta de delação e diz que seria prematuro buscar esse caminho.
Apesar da saída do advogado Walfrido Warde, que assessorou Vorcaro por muitos anos em assuntos regulatórios do Banco Master mas não atua como criminalista, permanecem na defesa do banqueiro os escritórios dos criminalistas Pierpaolo Bottini, Marcelo Leonardo e Roberto Podval.
O aceno de Vorcaro em direção a uma delação premiada começou a ser citado por interlocutores da família dele. Uma das preocupações do empresário em fazer um acordo seria preservar parte do seu patrimônio, de acordo com seus interlocutores. Ele já foi alvo de duas fases da Operação Compliance Zero e, na última delas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou um bloqueio de R$ 5,7 bilhões.
Mas não houve nenhuma ação concreta para avançar com o tema da delação. Os rumores motivaram uma nota da equipe de defesa negando terem tratado do tema com o empresário.
“A defesa de Daniel Vorcaro nega com veemência a existência de qualquer proposta ou negociação de delação premiada. Essa informação não corresponde à realidade e não foi objeto de tratativa formal ou informal por parte do Sr. Vorcaro ou de seus advogados. Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal”, disse a nota.
Os investigadores também veem com reservas a possibilidade de uma delação de Vorcaro, porque até agora ele é investigado como suposto líder de uma organização criminosa que lesou o sistema financeiro. A legislação sobre colaboração premiada não permite que o acordo seja feito com os líderes das organizações criminosas. Neste caso, seria necessário que Vorcaro mostrasse a existência de pessoas hierarquicamente superiores a ele na suposta organização criminosa.
O advogado Walfrido Warde deixou a defesa do empresário Daniel Vorcaro. Warde integrava a equipe de advogados do empresário, investigado em apurações conduzidas no âmbito da Corte. Em nota, o advogado afirmou apenas que “deixou de fazer parte da equipe que atua para Daniel Vorcaro”.
Especialista em litígios empresariais, Warde já manifestou publicamente críticas ao uso da delação premiada em diferentes ocasiões. Em entrevista ao site Consultor Jurídico (ConJur), em 2018, o advogado questionou o uso prático do instrumento no Brasil, apontando excessos e defendendo que a delação não deve ser tratada como prova em si, mas como um meio de obtenção de elementos que precisam ser corroborados por evidências materiais.
A saída do advogado ocorre em um contexto em que, após a última operação da Polícia Federal que atingiu familiares de Vorcaro, passou a ser comentada, nos bastidores, a possibilidade de o controlador do Banco Master firmar um acordo de delação premiada. Integrante da defesa, o advogado Sérgio Leonardo afirmou que a saída de Warde não tem relação com o andamento das investigações. Segundo ele, o desligamento ocorreu exclusivamente porque Walfrido Warde não atua na área criminal. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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