Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Segunda-feira, 24 de junho de 2024

Voltar PIB do Brasil mostra consumo em alta e queda de investimentos

Após o bom desempenho no primeiro semestre, a economia brasileira deu uma freada no terceiro trimestre. Com investimento fraco, apesar do consumo mais forte que o esperado, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) cresceu apenas 0,1% ante os três meses anteriores, informou o IBGE.

O resultado veio bem abaixo do avanço de 1% registrado no segundo trimestre, mas foi melhor do que o esperado. Analistas projetavam uma retração de 0,2%. Com o desempenho do terceiro trimestre, o PIB atingiu um nível 7,2% acima do registrado antes da pandemia de Covid-19, e a economia alcançou o maior patamar da série, iniciada em 1996.

Mesmo que o quarto trimestre seja de avanço nulo, a economia já teria garantido um crescimento de 3%, mostra relatório da corretora Genial Investimentos.

Após a divulgação dos dados pelo IBGE, analistas que projetavam crescimento mais baixo revisaram suas estimativas. A Ativa reviu de 2,5% para 2,9%. A consultoria A.C. Pastore vai revisar sua projeção de 2,9% para 3%.

“O crescimento do quarto trimestre deve ser próximo de zero. Por isso, devemos ter um crescimento em torno de 3% no ano”, explica Juliana Trece, pesquisadora e coordenadora do Monitor do PIB do FGV Ibre.

Perda de fôlego

Já esperada, a perda de fôlego do terceiro trimestre foi marcada por um robusto crescimento do consumo das famílias, de 1,1%, contrabalançado pela retração de 2,5% nos investimentos. Já são quatro quedas seguidas nos investimentos, cuja taxa ficou em 16,6% do PIB, menor patamar desde 2020, ano da pandemia, quando a economia parou.

“Consumo não sustenta PIB no longo prazo, bate no teto. Consumo subindo e investimento em queda formam um crescimento de fôlego curto. Esse padrão não se sustenta. É o famoso voo de galinha”, afirmou a economista Margarida Gutierrez, professora da Coppead e do Instituto de Economia da UFRJ.

O crescimento de 1,1% no consumo das famílias no terceiro trimestre superou o 0,9% de avanço nos três meses anteriores. Desde a retomada da economia após a pandemia, são nove trimestres seguidos de alta, na comparação com os trimestres imediatamente anteriores.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a continuação da melhora do mercado de trabalho —com o aumento real, acima da inflação, da massa salarial —e as transferências de renda concedidas pelo governo, como o Bolsa Família, são os principais motores que sustentam o consumo das famílias. Mas ela ainda vê alguns entraves:

“O grau de endividamento das famílias e as taxas de juros ainda puxam para baixo. Vamos ter que ver como vai ficar depois do programa Desenrola, que têm o objetivo de diminuir o endividamento das famílias, e as taxas de juros”.

Agronegócio

Pela ótica da oferta, a perda de fôlego da economia foi puxada pela queda de 3,3% da agropecuária, em relação ao segundo trimestre. Essa retração se deve a fatores sazonais, pois a safra da soja, principal cultura agrícola do país, é colhida na primeira metade do ano. A queda também não tira do setor o papel de motor da economia neste ano — pelo contrário, na comparação com o terceiro trimestre de 2023, houve um salto de 8,8%.

“A saída de soja da safra é o principal causador dessa queda do terceiro trimestre ante o segundo, mas continuamos tendo crescimento em outras safras, como milho, cana, algodão e café”, disse Rebeca, do IBGE.

Se a agropecuária passou por esse ajuste, a demanda do consumo das famílias impulsionou o PIB de serviços, que cresceu 0,6% em relação ao segundo trimestre. Como responde por 67% da economia, o desempenho do setor dita o ritmo do PIB como um todo. Entre os diferentes serviços, os destaques positivos no terceiro trimestre foram as atividades financeiras, as imobiliárias e os serviços de tecnologia de comunicação e informação, informou o IBGE.

Serviços

O PIB da indústria também cresceu 0,6% ante o segundo trimestre, mas o grande destaque foi a produção de eletricidade, gás, água e esgoto, ou seja, a indústria de utilidade pública, com salto de 3,6%.

Isso se deveu à combinação de custos baixos de geração de eletricidade, diante do fato de que os reservatórios das usinas hidrelétricas estão cheios, com forte demanda de energia, por causa do calor.

“Aí tem muito a ver com as bandeiras verdes (na conta de luz, ou seja, sem cobrança adicional por causa do aumento do custo de geração), que estamos tendo este ano todo”, explicou Rebeca, do IBGE. Além disso, o calor maior do que em outros períodos favorece o consumo, principalmente residencial, de eletricidade e água.

A indústria de transformação cresceu apenas 0,1%, com desempenhos negativos da indústria de máquinas e equipamentos e do setor automotivo. Já o PIB da indústria da construção civil caiu 3,8% na comparação com o segundo trimestre, sob o impacto das elevadas taxas de juros.

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No Ar: Caiçara Confidencial