Domingo, 23 de junho de 2024

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Voltar Pesquisadores descobrem variações genéticas associadas à bissexualidade

Pela primeira vez, cientistas identificaram variações genéticas associadas ao comportamento bissexual humano e descobriram que essas variações estão ligadas à assunção de riscos e ao aumento da prole quando os portadores são homens heterossexuais. O estudo foi publicado pela Science Advances.

Jianzhi “George” Zhang, professor da Universidade de Michigan e principal autor da nova pesquisa, disse à AFP que o estudo ajuda a responder à antiga questão evolutiva de por que a seleção natural não eliminou a genética que está por trás da atração por ela. A investigação baseou-se em dados de mais de 450 mil pessoas de ascendência europeia que se inscreveram no UK Biobank, um projeto genômico de longo prazo que provou ser de grande ajuda para estudos em saúde.

Baseia-se em outros estudos recentes, como um artigo publicado em 2019 na Science, segundo o qual as variantes genéticas influenciaram até certo ponto o comportamento homossexual, embora os fatores ambientais tenham sido mais importantes.

“Percebemos que, no passado, as pessoas agrupavam todos os comportamentos homossexuais […] mas na verdade existe um espectro”, disse Zhang.

Ao combinar os dados genéticos dos participantes com as respostas ao questionário, os autores concluíram que as assinaturas genéticas associadas à homossexualidade e à bissexualidade eram, na verdade, diferentes.

Persistência histórica

O estudo determinou que os marcadores genéticos associados à bissexualidade também estão ligados a uma maior afinidade de risco nos portadores do sexo masculino, o que provavelmente favorece relações sexuais mais desprotegidas, uma vez que esse mesmo marcador genético está associado a um maior número de filhos.

Os resultados “sugerem” que estes marcadores genéticos “são provavelmente vantajosos do ponto de vista reprodutivo, o que pode explicar a sua persistência no passado e prever a sua prevalência futura”, escreveram os autores.

Isso se explica pelo fato de que um mesmo gene pode carregar diversas características diferentes. “Estamos falando de três características aqui: número de filhos, comportamento de risco e comportamento bissexual, todos compartilhando elementos genéticos”, explicou Zhang.

Em contraste, os marcadores genéticos associados ao comportamento homossexual foram correlacionados com menos filhos quando os portadores eram homens heterossexuais, sugerindo um desaparecimento gradual destas características.

No entanto, os dados do UK Biobank também revelaram que o número de pessoas que relatam comportamento homossexual e bissexual tem aumentado durante décadas, devido à crescente abertura social. Os autores estimam, por exemplo, que o fato de uma pessoa ter ou não comportamento bissexual é 40% influenciado pela sua genética e 60% pelo seu ambiente.

O estudo “contribui para a diversidade, riqueza e melhor compreensão da sexualidade humana”, reafirmaram os autores. “Não se pretende, de forma alguma, sugerir ou apoiar a discriminação baseada no comportamento sexual”, acrescentaram.

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