Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 3 de agosto de 2026
Mesmo em um cenário de progressiva digitalização das relações de consumo, a população gaúcha a partir dos 60 anos mantém hábitos tradicionais na hora de comprar, como a ida a uma loja física e o uso de dinheiro-vivo. É o que revela a pesquisa de “Hábitos de Consumo de Pessoas Idosas 2026”, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
O comércio físico permanece como principal espaço de consumo dessa parcela da população, conforme indica o levantamento. Dentre os entrevistados, 58,2% dizem preferir compras em lojas do centro das cidades, enquanto 13,8% utilizam a internet para adquirir itens de vestuário, calçados, eletrônicos e outros produtos.
No que se refere ao dinheiro em espécie, a modalidade é utilizada por 45,7% dos idosos como principal meio de pagamento. Trata-se de um índice superior ao do cartão de crédito parcelado (27,5%), cartão de débito (24,7%) e sistema pix (22,9%).
A maior preferência por formas de pagamento tradicionais pode ser atribuída a diversos fatores, aponta a Fecomércio: costumes, melhor controle financeiro e menor familiaridade a recursos tecnológicos. O receio de golpes virtuais também é determinante.
Outro dado relevante mostra que a relação de fidelidade do consumidor idoso está mais conectada aos estabelecimentos que às marcas. Enquanto 74,5% garantem não levar esse fator em consideação, quase 57% se dizem mais apegados às lojas onde já costumam comprar, indicando que fatores como ambiente, organização, atendimento, mix de produtos e precificação têm peso decisivo nas escolhas de consumo.
Na definição de onde comprar, os critérios mais relevantes apontados pelos entrevistados são preço e ofertas (65,5%), promoções (31,7%), qualidade dos produtos (21,8%) e atendimento (17,4%). A experiência presencial, inclusive, aparece como fator importante na percepção de consumo.
Embora 83,9% afirmem não enfrentar dificuldades no momento da compra, dentre aqueles que relatam obstáculos, 14,5% apontam o mau atendimento dos vendedores como a principal dificuldade encontrada no varejo. Para o presidente da entidade no Estado, Luiz Carlos Bohn, os dados ajudam a compreender características específicas de um público que amplia sua participação no mercado consumidor e exige atenção cada vez maior:
“O comércio vai conviver com uma intensidade cada vez maior com um público multigeracional. Adaptar-se, antes de mais nada, é entender e atender as necessidades dos variados públicos. Os dados mostram que o consumidor 60+ valoriza a experiência de consumo, o que se traduz na fidelidade a lojas”.
Motivação
Para a maioria dos idosos, conforme a pesquisa, comprar segue sendo uma atividade funcional. De acordo com 82,3% dos entrevistados, ir às compras representa principalmente a necessidade de adquirir produtos essenciais. Já 11,2% enxergam o momento como uma atividade de lazer, enquanto 6,5% associam o consumo à oportunidade de interação social.
Dentre as mulheres, o caráter recreativo das compras aparece com mais força: 18,8% afirmam comprar por lazer, percentual bastante superior ao registrado entre os homens, que é de apenas 2,3%.
Uma das categorias de consumo regular mais frequente entre os idosos gaúchos é a alimentação fora do domicílio, hábito apontado por 46% dos entrevistados – atrás somente da compra de alimentos e medicamentos. Outros 29,1% relataram frequentar regularmente salões de beleza e barbearias, prática mais comum entre mulheres, onde o índice chega a 35,6%.
A pesquisa também identificou relação direta entre renda e consumo: alimentação fora de casa e serviços de beleza tornam-se mais frequentes conforme aumenta o poder aquisitivo dos entrevistados. Outra constatação é o peso crescente do turismo no cotidiano dessa população:
O hábito de viajar foi indicado por 40,5% dos entrevistados. Dentre eles, quase 52%% realizam viagens motivadas por lazer, enquanto para 39,7% o objetivo é visitar amigos e familiares. Quanto à frequência, 35,3% afirmaram viajar ao menos uma vez por ano e outros 26,9% costumam viajar a cada seis meses.
No perfil econômico, aposentadorias e pensões seguem como principal fonte de renda para 81% dos entrevistados, enquanto 25,5% ainda possuem remuneração proveniente do trabalho. Em relação à configuração social, 37,4% vivem com familiares, 32,7% sozinhos e 29,4% com o cônjuge, níveis que ajudam a compreender aspectos ligados à autonomia financeira e padrões de consumo desse segmento.
“Esta pesquisa permite compreender de forma mais precisa o comportamento de consumo da população idosa e mostra que existe um perfil bastante específico dentro desse público”, conclui Bohn. “Para o comércio, conhecer essas características é fundamental para desenvolver estratégias adequadas e atender melhor uma parcela da população que se torna cada vez mais representativa na economia.”
(Marcello Campos)
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