Terça-feira, 24 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 24 de março de 2026

A concessão da chamada Rota Portuária do Sul, que abrange trechos da BR-116 e da BR-392, abriu um debate intenso no setor de transporte gaúcho. A Fetransul considera que o modelo apresentado pela ANTT carrega falhas graves: a exclusão do trecho Eldorado do Sul–Camaquã, que rompe a continuidade logística entre Porto Alegre e o Porto de Rio Grande, e a adoção de um multiplicador tarifário de 1,5 para caminhões, o que significa pedágios 50% mais caros que o padrão nacional.
O projeto prevê investimentos bilionários e a gestão de quase 460 quilômetros por três décadas, mas a fragmentação da concessão gera insegurança regulatória e abre espaço para futuras licitações com tarifas indefinidas. Para o setor, isso cria um vazio operacional em um dos principais corredores de exportação do Estado. Além disso, obras já previstas com recursos públicos, como trechos da duplicação da BR-116 e a nova ponte internacional de Jaguarão, foram incorporadas ao contrato, transferindo custos ao usuário sem garantias de eficiência proporcional.
Dirigentes da Fetransul alertam que o impacto será repassado ao preço das mercadorias, penalizando consumidores e empresas. Prefeitos e lideranças da Zona Sul também criticam a instalação de pórticos eletrônicos em áreas urbanas e pedem maior diálogo com a sociedade. A entidade articula, junto a parlamentares, uma frente para pressionar pela revisão do modelo. “É inaceitável o aumento de 50% proposto; novamente o transporte de cargas está sendo penalizado”, resumiu o vice-presidente Rudimar Puccinely.
O futuro da Rota Portuária do Sul dependerá da capacidade de conciliar investimentos com justiça tarifária e integração logística. Sem ajustes, o que deveria ser um avanço pode se transformar em mais um obstáculo ao desenvolvimento gaúcho.
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