Segunda-feira, 24 de junho de 2024

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Voltar Passagens aéreas devem continuar caras

Viajantes devem ter dificuldade de encontrar barganhas ao comprar passagens aéreas. Isso porque o cenário tarifário do setor continua apertado e a tendência é de alta nos preços, diante de cortes na oferta de assentos e subida do petróleo ante escalada das tensões geopolíticas globais.

Um dos fatores a comprometer a queda dos preços é a redução da malha. Gol e Azul anunciaram ao mercado recentemente o corte nas suas projeções para este ano diante da menor oferta de aeronaves e também do cenário de alta para o petróleo.

Antes em crescimento, a demanda doméstica por transporte de passageiro (medida em RPK) em outubro teve uma redução de 3,9% na comparação com igual mês de 2019, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No total, foram transportados 7,8 milhões de passageiros, um aumento de 7,7% em relação a outubro de 2022, mas 7,5% abaixo do registrado antes da pandemia.

O lado internacional que surpreendeu ao superar o pré-pandemia pela primeira vez desde o caos sanitário (feito que apenas o doméstico havia registrado até meados do ano). Foram 1,9 milhão de passageiros internacionais no mês, alta de 2,3% contra outubro de 2019.

Alta do yeld

Voar está mais caro. O yield (preço médio pago pelo passageiro para voar um km) do setor atingiu 0,6138 em setembro de 2023, o mais alto dos últimos cinco anos. Já em relação a setembro de 2022, houve um aumento de 7%. De janeiro a agosto de 2023, as passagens que custavam acima de R$ 1.500 na ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro somavam 5,9%. No mesmo período de 2019, os bilhetes acima de R$ 1.500 representavam apenas 1,8%.

As maiores tarifas estão se convertendo a um melhor resultado operacional para as aéreas. Segundo levantamento, as margens operacionais das companhias Azul, Gol e Latam atingiram 19,5%, 17,7% e 12,2% (dólares), respectivamente, no terceiro trimestre de 2023. É o maior patamar desde o início da pandemia.

No entanto, o sócio da consultoria Bain & Company e especialista em aviação, André Castellini, disse que o custo da dívida das companhias está muito alto e isso tem prejudicado os balanços. O desafio das aéreas locais, contou, é refletido no preço das ações. “Hoje as empresas (Gol e Azul) valem 1/3 do que valiam antes da pandemia. O motivo é que elas não estão gerando caixa”, ressalta Castellini.

Castellini disse que a indústria tem mantido sinalizações de disciplina na oferta. “Nenhuma quer ganhar market share acima da outra. Elas sabem o risco de começar uma guerra de preços e desequilibrar a situação que existe hoje”, disse.

Custo de dívida

Gabriel Rezende, analista de transportes do Itaú BBA, explicou que os yields elevados da indústria estão sendo corroídos hoje por um custo de dívida muito mais caro de se carregar. “As aéreas (Gol e Azul) terminaram há pouco tempo seus processos de renegociação e algumas delas implicaram em custos um pouco maiores”, disse. Somados a um câmbio menos favorável ao setor e a escala geopolítica e seus efeitos sobre o petróleo, o cenário continua de alta para a tarifa – embora em uma velocidade menos acelerada do que em 2022. “O investidor ainda aborda o setor com cautela, mas a percepção melhorou substancialmente ao longo do ano. A gente sentiu um investidor mais disposto a voltar, gastar tempo e olhar para o setor”, disse.

A negociação de dívidas foi fundamental para postergar o período de amortização e dar mais fôlego as empresas — ao contrário de outros países, as aéreas daqui não tiveram subsídios e precisaram procurar recursos no mercado, e pagaram mais caro por isso. Hoje, a Gol está com uma dívida para a Abra (sua holding) com um custo anual de 18% ano. Já a Azul em sua última emissão de US$ 800 milhões, tinha um custo da dívida de 11,93%.

A Gol no terceiro trimestre deste ano reportou um resultado financeiro líquido negativo de R$ 2 bilhões, contra R$ 1,5 bilhão em igual trimestre do ano passado – ou seja, uma perda 31,9% maior. A Azul divulgou o balanço do terceiro trimestre de forma preliminar e não auditada e o resultado financeiro ainda não foi tornado público.

O governo tem buscado uma interlocução com o setor para reduzir as tarifas. De um lado, estuda um plano, o Voa Brasil, para levar passagens mais acessíveis a alguns grupos hoje fora do modal aérea. De outro, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, sinalizou conversa com as aéreas em que elas se comprometeram a apresentar um plano para reduzir as tarifas – em um movimento que deve endereçar pontos como combustível e o número de processos na Justiça.

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