Sexta-feira, 21 de junho de 2024

Sexta-feira, 21 de junho de 2024

Voltar Partido de Bolsonaro cita “fortes indícios de corrupção” em documento final contra Sergio Moro

Nas alegações finais da ação de investigação judicial eleitoral (Aije) em que pede a cassação do senador Sergio Moro (União Brasil), o PL cita “fortes indícios de corrupção” da campanha do ex-juiz e proeminente líder da Operação Lava-Jato. O documento, que é a última etapa de argumentos antes de o parlamentar ser devidamente julgado, ainda elenca os detalhes que, segundo o partido, apontam para uso indevido de meios de comunicação, abuso de poder econômico e caixa dois.

O julgamento da ação que corre no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná vai analisar duas ações de cassação propostas pelo PL e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). Em depoimento prestado no âmbito do processo, registrado no último dia 7, Moro optou por silêncio parcial. Moro só respondeu o juiz que conduziu o depoimento, optando pelo silêncio nas questões formuladas pelos advogados das siglas.

“Eu me sinto agredido e não me sinto confortável em participar de um teatro”, afirmou ele ao justificar a opção pelo silêncio nas perguntas dos advogados das legendas.

O PL, no documento que elenca as alegações, caracteriza a saga de Sergio Moro na política partidária como hollywoodiana, e afirma que há traços de corrupção na condução da campanha. A acusação baseia-se, em suma, no fato de que Moro contratou empresas de membros da campanha para atuar na sua candidatura, incluindo escritório de advocacia de do suplente Luiz Felipe Cunha, “amigo íntimo” do ex-juiz, segundo o documento.

Além disso, antes desta contratação suspeita, Moro já havia percorrido uma trajetória partidária acidentada, em que permaneceu pouquíssimo tempo filiado ao Podemos e depois se tornou membro do União Brasil — o que teria lhe concedido vantagem indevida em relação aos outros candidatos.

O ponto central das acusações tem como base esse trajeto. O PL argumenta que Moro se filiou ao Podemos e, depois disso, a sigla contratou determinadas empresas, todas ligadas a membros de sua pré-campanha (como Luiz Felipe Cunha, Uziel Santana e Pablo Nobel). Depois de sua saía e posterior filiação ao União Brasil, as empresas tomaram o mesmo rumo, rescindindo o contrato após a saída de Moro.

“Após a realização de gastos milionários em favor dos investigados durante a passagem pela primeira agremiação, os réus trocam de partido e, após uma frustrada tentativa de alterar o domicílio eleitoral do ex-juiz para São Paulo, é anunciada a pré-candidatura ao Senado pelo Estado do Paraná, sob a legenda do União Brasil. O Downgrade representa uma redução do teto de gastos na ordem de 1/20 (um vinte avos), haja vista o limite de gastos para presidente ser de R$ 88.944.030,80 e o limite de gastos do novo cargo pretendido (Senador pelo Paraná) de R$ 4.447.201,54”, diz a peça.

O texto, assinado pelos advogados Guilherme Ruiz Neto, Marcelo Delmanto Bouchabki, Bruno Cristaldi e Nathália Ortega da Silva, diz que a superexposição de Moro é “inegável”, posto que o então candidato protagonizou pesquisas, entrevistas e até propaganda partidária para as duas siglas. “Se mostra natimorta qualquer aspiração defensiva de sugerir que o eleitorado paranaense não acompanha a corrida presidencial.”

“Pesquisas eleitorais, transporte, hospedagem, segurança, apoio profissional das mais variadas áreas, pagamento de salário como suposto dirigente partidário e muitos outros benefícios são delineados e clamam por necessária expedição de ofício para a apresentação de documentos em posse de terceiros. Os indícios de corrupção fazem necessária a quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático dos suspeitos, bem como realização de busca e apreensão garantidora da mais robusta instrução processual”, dizem os advogados.

A sigla pede a cassação de Moro e sua inelegibilidade por oito anos por conta de arrecadação e gasto de recursos ilícitos (art. 30-A, Lei nº 9.504/97); abuso do poder econômico (art. 22, LC nº 64/90); utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social (art. 22, LC nº 64/90) e caixa dois e triangulação de recursos (art. 14, parágrafo 10, CF/88 – vide pág. 32 da inicial). (ConJur)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

No Ar: Clube do Ouvinte