Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 15 de abril de 2026
O papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira (15) que sua visita à África leva uma mensagem de unidade e paz “que o mundo precisa ouvir”, ao mesmo tempo em que pediu às autoridades de Camarões que examinem sua “consciência” e rompam “as correntes da corrupção”.
As declarações foram feitas em meio às críticas que o Pontífice vem recebendo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice-presidente JD Vance por sua posição sobre a guerra no Irã.
Depois de ser recebido por multidões nas ruas, o pontífice nascido nos Estados Unidos adotou um tom incomumente direto em seu primeiro discurso no país africano, diante de autoridades locais, incluindo o presidente Paul Biya, de 93 anos, que governa o país desde 1982. O Papa afirmou que a segurança deve ser exercida com respeito aos direitos humanos e defendeu que o poder público não seja fonte de divisão.
“A segurança é uma prioridade, mas deve ser sempre exercida com respeito aos direitos humanos”, disse o Papa, acrescentando que as autoridades devem servir como pontes, “mesmo quando a insegurança parece prevalecer”.
Em resposta, Biya disse às autoridades e diplomatas reunidos na capital, Yaoundé, que “o mundo precisa da mensagem de paz” trazida por Leão. Sob o comando de Biya, Camarões tem sido há muito tempo assolado por desvio generalizado de recursos, ocupando a 142ª posição entre 182 países no Índice de Corrupção de 2025 da Transparency International.
Nos últimos anos, o líder multiplicou suas viagens ao exterior, seja para tratamento médico ou férias em um luxuoso hotel em Genebra, onde a oposição o acusa de gastar dinheiro dos contribuintes. Um consórcio internacional de jornalistas investigativos, o OCCRP, estimou em 2018 que a duração total de suas estadias privadas no exterior foi de 4,5 anos ao longo de três décadas e meia, com custo de 65 milhões de dólares.
Na véspera da visita do Pontífice, grupos da sociedade civil em Camarões haviam denunciado um “período sem precedentes de repressão” desde as eleições presidenciais de outubro e pediram a libertação de presos políticos, alguns detidos sem base legal. Entre os 2.782 prisioneiros registrados pelas organizações, 2.630 não foram condenados, segundo o ativista Herve Nzouabet Kweto, da ONG Source de vie.
“É hora de examinar nossa consciência e dar um salto ousado para frente. Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção devem ser quebradas”, afirmou o pontífice.
Mais cedo, durante o voo entre Argélia e Camarões, Leão XIV voltou a defender a convivência entre religiões e destacou sua visita à Grande Mesquita de Argel, a maior da África, além do local de nascimento de Santo Agostinho de Hipona, figura cristã que inspirou sua vocação sacerdotal. Segundo ele, o encontro com a diversidade religiosa reforça a necessidade de coexistência pacífica.
“Temos crenças diferentes, formas diferentes de culto e maneiras distintas de viver, mas podemos viver juntos em paz. Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje”, declarou.
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