Quarta-feira, 29 de maio de 2024

Quarta-feira, 29 de maio de 2024

Voltar Pandemia impacta indicadores de vida saudável e promoção do bem-estar no Rio Grande do Sul

A pandemia de Covid-19 foi determinante nos resultados do Rio Grande do Sul e do Brasil monitorados pelo ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) 3 da ONU (Organização das Nações Unidas), que trata da saúde e do bem-estar da população.

Os dados são referentes ao ano de 2021 e foram apresentados no estudo “Vida Saudável e promoção do bem-estar: ODS 3 no RS”, produzido pelo Departamento de Economia e Estatística, vinculado à SPGG (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão).

A pesquisa mostra que a maior parte dos indicadores apresentou piora em relação ao ano de 2020, tanto pelos efeitos do vírus sobre a saúde quanto por mudanças de comportamentos sociais.

O ODS 3 – Saúde e Bem-Estar – possui nove metas a serem alcançadas até 2030, que servem como base para analisar a evolução dos resultados. Em 2021, o Rio Grande do Sul registrou uma mortalidade neonatal (de zero a 27 dias de vida) de 7,2 por cada 1.000 nascidos vivos.

O número representa um leve aumento em relação ao ano anterior (6,7), a menor taxa da série histórica iniciada em 2000. Apesar do aumento, o valor ficou abaixo da média nacional de 8,4 mortes por 1.000 nascidos vivos em 2021.

Em relação à mortalidade de crianças menores de cinco anos, o Rio Grande do Sul atingiu uma taxa de 11,46 mortes por 1.000 nascidos vivos em 2021, representando um aumento em torno de 16% em relação a 2020 (9,84). Em nível nacional, essa taxa foi de 13,8 no ano de 2021.

Quanto à mortalidade materna, em 2021, o indicador atingiu 90,8 mortes por 100 mil nascidos vivos no Rio Grande do Sul, e 113,2 no Brasil. A meta estabelecida pela ONU para 2030 é de, no máximo, 30 mortes por 100 mil nascidos vivos.

O documento foi desenvolvido pelos analistas pesquisadores do DEE/SPGG, Guilherme Risco e Marilyn Agranonik. Ele contém principalmente dados do Ministério da Saúde, atualizados até 2021, abrangendo tópicos como mortalidade materna, neonatal e na infância, doenças transmissíveis e não transmissíveis, acidentes em estradas, acesso a serviços de saúde e uso nocivo de álcool.

Metas

Em relação às ocorrências de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), foram notificados 2.789 novos casos no Estado em 2021. A taxa de detecção aumentou de 22,3 para cada 100 mil habitantes, em 2020, para 24,3, em 2021. No Brasil, esse indicador foi de 16,5 em 2021.

“A taxa de detecção de casos de Aids historicamente apresenta valores acima dos nacionais, porém esse indicador no Estado vem caindo mais rapidamente”, aponta o pesquisador Guilherme Risco.

Com dados de 2022, o Rio Grande do Sul registrou 4.598 casos de tuberculose, sendo 1.858 em pessoas com idade entre 20 e 39 anos. A taxa no ano chegou a 40,0 por 100 mil habitantes, superando os valores de 2021 (38,2) e de 2020 (37,7) – o menor da série histórica.

O estudo mostra, ainda, as causas de morte prematura, em 2021, na população adulta (entre 20 a 59 anos), por causas naturais (cardiovasculares, neoplasia, infecciosas, entre outras), no Rio Grande do Sul.

As doenças infecciosas e parasitárias, categoria em que estão incluídos os óbitos por Covid-19, foram as mais frequentes, com uma taxa de 154,7 para cada 100 mil pessoas. Em seguida, vieram as neoplasias ou tumores (68,0) e as doenças do aparelho circulatório (48,2).

Quanto aos óbitos por suicídio, o Estado registrou, em 2021, uma taxa de 13,2 mortes a cada 100 mil habitantes, sendo a mais alta do país. Em 2020, o valor foi de 12,4. Em âmbito nacional, esse indicador chegou a 7,3, em 2021.

Em relação ao planejamento familiar, informação e educação, além da integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais, os dados mostram que o Rio Grande do Sul registrou, em 2021, um total de 427 nascidos vivos de mães entre 10 e 14 anos.

Esses dados resultam em uma taxa de 1,3 nascidos vivos para cada 1.000 mulheres. No Brasil, esse valor foi de 2,4. No caso de adolescentes entre 15 e 19 anos, o número de nascidos vivos foi de 11.515 em 2021, com uma taxa de 31,8 para cada 1.000 pessoas. No país, o indicador para o mesmo ano foi de 45,5.

“A pandemia afetou diversos indicadores de saúde em todo o mundo, inclusive no Brasil e no Rio Grande do Sul. Com isso, houve um distanciamento das metas propostas pela ONU até 2030”, avalia o pesquisador.

“À medida que os dados consolidados de 2022 em diante forem divulgados, poderemos avaliar o quanto de recuperação teremos nos indicadores. Além disso, segue o desafio de longo prazo para o Estado melhorar as taxas em que estamos abaixo da média brasileira, como as de suicídio e Aids.”

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