Quarta-feira, 18 de março de 2026

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Voltar Ouro dispara, arroz estagna: sinais para 2026

O painel “O que esperar para 2026? Da macroeconomia às commodities”, realizado na 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz em Capão do Leão, deixou claro que o campo gaúcho terá de enfrentar um ano de contrastes. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, metais preciosos acumularam alta de 94% em dólar, enquanto commodities agrícolas, como o arroz, seguem pressionadas pela oferta global e pela cotação internacional na Tailândia.

O pesquisador da FGV Agro, Felippe Serigati, foi direto: “Embora o preço do arroz no Brasil seja influenciado pelo dólar e pela conjuntura macroeconômica, a formação do valor depende de fundamentos como oferta e demanda”. Ele lembrou que a referência internacional indica cenário de preços pressionados, o que explica a ausência de valorização no segmento agrícola.

Serigati também analisou o panorama global. “Mesmo com fatores de instabilidade, como o aumento de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vários ativos se valorizaram de forma significativa no período. Metais preciosos, por exemplo, acumularam alta de 94% em dólar”, afirmou. Para ele, a desaceleração do crescimento mundial foi menos intensa do que se projetava, com a China mantendo protagonismo apesar de desafios internos e empresas de tecnologia nos EUA compensando parte dos efeitos da política tarifária.

No Brasil, o dólar mais baixo ajudou a conter a inflação e reduzir o risco país. Mas o alerta é claro: “Será necessário um ajuste, especialmente em relação aos gastos do governo, para garantir sustentabilidade no médio prazo”, disse o pesquisador.

O contraste entre metais e grãos não é apenas estatístico. Ele revela a vulnerabilidade da agricultura frente às oscilações globais e acende alerta para 2026. O produtor gaúcho terá de lidar com preços pressionados, custos crescentes e necessidade de políticas públicas mais consistentes. O painel em Capão do Leão mostrou que o futuro da produção dependerá da capacidade de adaptação e da leitura atenta da conjuntura internacional. (Por Gisele Flores -gisele@pampa.com.br)

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