Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Voltar Os que dão um mau exemplo

Não se trata de exagero. Tem-se a cobrança obrigatória de fazer com que se permita, pelo menos a partir de provas bastante incontáveis, ter a preocupação de chegar a uma parcial e preliminar biografia de algumas figuras (homens de poder e geralmente no poder) que, por caminhos distintos, chegaram a ter a possibilidade de colocar a sociedade sob sua dependência. Alguns exemplos:

1)Putin

Usuário do poder absoluto na Rússia e de um pedaço da mesma força em países vizinhos e um pouco mais do que politicamente submissos (por exemplo, a Bielorrússia) que se “elegem” em pleitos nos quais a controlada oposição é uma farsa absoluta. Estão comandados ditatorialmente pelo poder do Estado. Há uma farsa com o objetivo de criar-se uma alegoria de poder especialmente para vender uma aparência de congresso, voto, eleição, etc. E dessa farsa o mestre é Putin, comandando ditatorialmente a Rússia há mais de 12 anos. Já definiu que terá, pelo menos, mais 8. Isso porque a sua vontade pessoal se sobrepõe a qualquer lei.

Em matéria de idoneidade, além da tirania que exerce sobre a sociedade russa, é “sócio”, ganancioso em percentuais de capital bastante significativos de grandes empresas que aparentemente são privadas, mas que se transformaram em pedaços de Putin, em percentual pequeno do Estado, e uma terceira parcela de empresários de “fachada”, que são representantes do presidente. Às vezes, é tão voraz o apetite presidencial, que seus corruptos parceiros chegam a fazer manifestações públicas reclamando o predomínio percentual que ele insiste em ter (muito maior que o dos demais). Nunca mostrou o mínimo constrangimento e percepção da sociedade russa que, na verdade, se uma eleição livre fosse realizada, seguramente ele seria o último colocado.

Contra ele, processos judiciais denunciando seus crimes de todos conhecidos tem recebido o carinhoso tratamento em que a magistratura jamais pensou em condená-lo.

2) Biden

O presidente dos EUA venceu uma eleição que a opinião pública do mundo inteiro teve como democrática; mais do que isso: livre. Biden teve como adversário o ex-presidente Trump que, hoje, é o único chefe do executivo americano que vive na condição de réu, perante o poder judiciário respondendo por crimes de corrupção escandalosos.

Enquanto isso, Biden é o único chefe do governo ianque que se viu prejudicado na sua imagem pela performance funcional pública de seu filho, que responde por dois processos onde se lhe atribui sonegação fiscal e não pagamento de taxas aduaneiras, que seriam de valor significativo.

Biden pai se vê extremamente constrangido e com sua imagem pública bastante manchada pelo fato de que já aproveitou a sua condição de presidente para fazer manifestações e intervenções nos processos nos quais seu filho é réu e que estão sob a jurisdição da polícia federal tributária.

Do que não há dúvida é que os delitos do filho são reais e, infelizmente, envolvem números que prejudicam a saúde do orçamento em volumes milionários. Talvez, no entanto, ainda sejam piores para a imagem do seu pai.

3) Peru

Recapitulando, pela América Latina, fatos múltiplos que ocorreram no período que, de certa maneira, pela quantidade e originalidade dos crimes, deve ter feito os incas terem vergonha dos seus sucessores. Destaque que ora se dá ao país andino é a incontrolável sucessão de presidentes.

A troca do chefe do executivo ocorre sem preocupação com o que marca a constituição em prazos normalmente de meses e, como acontece atualmente, já substituíram e foram substituídos a chefia do executivo na roda desenfreadas das trocas – todos por envolvimento com crimes e que os chefes do executivo se apropriavam desonestamente de recursos públicos em valores realmente capazes de enfraquecer a economia peruana.

Diga-se que, quando Fugimori, líder interiorano com ar de nipônico e uma certa liderança no interior, pensou, no momento em que venceu, que o Peru ia mudar – o povo com ele. Na verdade, mudou: do mal para o pior. Só nos últimos 5 anos, o país teve 8 presidentes, 3 dos quais destituídos porque se comprovou quanto ganharam por corrupção.

4) Senadora Kirschner

Ex primeira-dama da república e vice presidente do país. Originária da minúscula província de Santa Cruz, onde, junto com seu marido, hoje falecido (e ex-presidente), formou uma estrutura de poder que a elegeu ao senado e a vice presidência do país, com momentos presidenciais. Não há necessidade de se fazer minudentes as suas “travessuras” de todos os feitios.

Passou a ser uma grande empresária. Usou e foi usada pelos grandes sindicatos em acordos muito discutíveis. No entanto, pela repetição dos seus procedimentos e pelas descobertas da imprensa (que detalhou várias histórias que o judiciário comprovou), que nas quais ela era a principal agente de ganhos criminosos ao ponto de ter sido condenada mais de uma vez, tentou imitar, sem o mesmo carisma e de maneira criminosa, a figura de Evita.

A senadora baseou-se no seu falecido marido para subir na vida pública. Hoje, é mais uma figura envolvida com a polícia federal argentina do que com decisões a respeito de temas importantes para o país. O previsto para o seu futuro é muito triste.

5) Itália e Inglaterra

Não se pode esquecer de que já se investigou e muito se comprovou sobre as terríveis aventuras público românticas do famoso empresário e político italiano (que também era presidente do Milan, clube de futebol) que, sendo derrubado pelo voto do congresso da condição de 1º ministro, foi logo condenado pela justiça e, além de perder o mandato, também teve de cumprir uma suave prisão administrativa. Incrível é que, mesmo sendo contadas na Itália e em vários países do mundo as suas andanças totalmente desrespeitosas, conseguiu, ao findar a sua pena, voltar à política e, hoje, ser membro do governo numa coligação do seu partido com o que era seu feroz adversário e agora convivem no desfrute do poder. O nome dele é Berlusconi, mistura de cartola do futebol, galã idoso e fraudulento das verbas públicas.

5.a) Não se poderia deixar de trazer à tona desses comentários que se propõem a chamar atenção da cidadania sobre aqueles que, ao chegarem ao poder, dele fazem mau uso e enriquecem de forma que não lhes dá a oportunidade de explicar o caminho, que não foi o lícito, para alcançar essa situação favorável.

Também da Inglaterra se colhe um exemplo, que precisaria ser citado e aqui o fazemos: é o do famoso despenteado líder conservador que, inicialmente, só se destacou pela sua maneira ortodoxa de se apresentar no primeiro período em que chegou ao primeiro ministro. Fez tantas festas na residência de 1º ministro (o endereço famoso em Londres: Downing Street, 10), que, segundo comentou-se no círculo político mais elevado, tornou-se impossível mantê-lo no cargo.

Até a rainha estaria incomodada; mas os ingleses tem uma originalidade em praticamente tudo que fazem e o 1º ministro, que fora derrotado e afastado do cargo, em menos de um ano estava de volta. O seu retorno durou mais um ano e parece que, desta vez, tendo sido constatado que no exercício do mandato fez farras públicas na casa oficial, perdeu a casa, perdeu o mandato e perdeu o ministério. Exagerou e fracassou.

Termino com um bilhete para os meus valiosos leitores: talvez se surpreendam, querendo que respondesse se algo se pode dizer a respeito do tema em debate aqui no Brasil. Honestamente, prefiro primeiro ouvir a opinião dos leitores e, daí, participarei nessa investigação.

Carlos Alberto Chiarelli foi ministro da educação e ministro da integração internacional.

E-mails para carolchiarelli@hotmail.com

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