Quarta-feira, 29 de maio de 2024

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2023 sugere ser um ano com enormes desafios para o Brasil e o mundo. Após a pandemia de Covid-19 exigir monumentais aportes dos bancos centrais para socorrer as economias, o previsível efeito inflacionário dessas políticas impõe às autoridades monetárias a clássica receita de juros altos para proteger as moedas e preservar o poder de compra da população. Isso, contudo, não é uma tarefa fácil, já que essa calibragem tem impacto direto no nível de endividamento dos governos e a conta, inevitavelmente, terá que ser coberta via maior arrecadação de tributos. Ou seja, a máxima de que “não existe almoço grátis” é mais atual do que nunca e sinaliza que os ajustes em curso tendem a repercutir, em maior ou menor grau, sobre o consumo e a renda dos trabalhadores. A Europa e os EUA, até por deterem economias mais estáveis e sólidas, atrasaram um pouco a adoção do remédio amargo dos juros altos, e agora pagam o preço por essa desatenção, com níveis inflacionários inéditos, considerando os últimos 40 anos. No Brasil, graças ao histórico relativamente recente do flagelo inflacionário, a cautela tem acompanhado as decisões do Copom do Bacen, com a política monetária sendo aplicada com bastante diligência, até porque todos sabem dos efeitos danosos e desestabilizadores que o descontrole inflacionário provoca no conjunto da sociedade, particularmente junto aos mais pobres. O reverso dessa moeda de juros altos é a sinalização de um próximo ano marcado por menor nível de atividade econômica, o que deve pressionar o Bacen a ponderar até que ponto o remédio dos juros está sendo aplicado na dose certa.

Além da questão fiscal, nosso País tem também problemas de cunho estrutural pela frente, já que a agenda de reformas pouco avançou nos últimos anos, particularmente no que diz respeito a maior inserção do Brasil na sociedade do conhecimento, na qual a pesquisa avançada em novas tecnologias determinará quem serão os vencedores e perdedores no ultracompetitivo cenário mundial. Ficar de fora ou atrasado da corrida do conhecimento é grave, mas o País pode buscar essa recuperação com políticas públicas adequadas e investimentos maciços e inteligentes na incontornável questão da educação. Não é mais admissível que legiões de brasileiros nasçam condenados à indigência intelectual por falta de oportunidades de estudo. Os desafios, contudo, não param por aqui. Nossa indústria vem perdendo relevância e carece de um projeto que reconcilie a capacidade de inserção mundial via inovação e maior integração com outros países. A assimilação do novo paradigma tecnológico da indústria 4.0 é essencial para a recuperação do protagonismo industrial, e precisa ser precedido pelo retorno de um planejamento competente por parte do governo, com a participação e o apoio do setor privado.

A boa notícia para o País vem embalada numa aparente contradição: ao mesmo tempo em que o INPE destaca que nunca desmatamos tanto na Amazônia, os prêmios por uma política responsável nesse setor prometem reverter totalmente a atual situação. O mundo, de forma geral, está consciente de que não existem atalhos para a questão climática, e o Brasil é um ator de primeira grandeza na economia de baixo carbono. Combatendo o garimpo ilegal, inibindo a atuação de madeireiros e grileiros, protegendo a floresta e apostando em práticas de incentivo ao desenvolvimento de atividades ambientalmente sustentáveis, podemos sair de uma condição de pária internacional do clima para protagonista, atraindo capitais e projetando o País como líder natural do desenvolvimento sustentável no planeta. Todos esses desafios que despontam no horizonte futuro do Brasil adquirem ainda mais relevo quando sabemos da imensa dívida social que acomete milhões de brasileiros. Saber enfrentar o amanhã com políticas adequadas pode beneficiar diretamente os segmentos priorizados e trazer, adicionalmente, amplas possibilidades de diminuirmos a injustiça social que envergonha o País e cuja superação passa, inevitavelmente, pela gestão responsável e competente do futuro governo que emergirá das urnas em 02.10.

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No Ar: Bom Dia Caiçara