Quinta-feira, 13 de junho de 2024

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Voltar Novo presidente da Argentina suaviza o tom e diz que Lula será bem-vindo na cerimônia de posse

O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, vai aos poucos adotando uma retórica mais moderada do que fora durante a campanha que o elegeu no último domingo. Nesta semana ele agradeceu a mensagem do líder chinês, Xi Jinping, que o felicitou pela vitória no pleito, e disse que Luiz Inácio Lula da Silva seria bem-vindo em sua cerimônia de posse, no próximo dia 10.

“Se Lula vier (à posse), será bem-vindo”, disse Milei, em entrevista ao canal Todo Noticias. “Ele é o presidente do Brasil.” A declaração acompanha falas da futura chanceler de Milei, Diana Mondino. Ela afirmou que gostaria que Lula estivesse na cerimônia e disse que ele seria convidado.

Lula e o líder chinês foram alvos corriqueiros de Milei durante a campanha. O libertário chegou a dizer que não faria comércio com os chineses, dizendo que Xi Jinping era um “assassino”. Já o petista foi chamado de “comunista” e “ladrão”. Todavia, China e Brasil são os maiores parceiros comerciais da Argentina neste momento. No ano passado, a China investiu US$ 1,34 bilhão na Argentina e o governo chinês aceitou receber em yuans (moeda local) pelos produtos exportados para os argentinos, que preservariam suas reservas em dólar. O comércio bilateral com o Brasil chegou a US$ 28,4 bilhões em 2022, sendo que os brasileiros são responsáveis por 14% das exportações da Argentina.

O Itamaraty não comentou a mudança de tom do presidente eleito da Argentina, mas ministros de Lula descartam a possibilidade de o presidente participar da posse. E isso se deve, especialmente, em razão da presença de Jair Bolsonaro, convidado por Milei, que levará uma comitiva recheada de aliados, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.

Milei também respondeu em tom conciliatório a uma mensagem enviada pelo presidente chinês, que expressa disposição em trabalhar com a Argentina.

No X (ex-Twitter), o presidente eleito publicou uma imagem da tradução da carta. “Agradeço ao presidente Xi Jinping as felicitações e votos de felicidades que me enviou”, escreveu Milei. “Envio-lhes os meus mais sinceros votos de bem-estar do povo da China.”

A partir do dia 10 de dezembro, quando tomar posse, Javier Milei terá de tomar algumas decisões importantes de política externa, uma delas é o grau de envolvimento da Argentina com o Mercosul. Três dias antes da cerimônia, no dia 7, Lula passará a presidência rotativa do bloco para o presidente do Paraguai, Santiago Peña.

Crítico contumaz do bloco, Milei chamou o Mercosul de “estorvo” e sugeriu a possibilidade de retirar a Argentina.

“O Mercosul é uma união aduaneira de má qualidade, que cria distorções comerciais e prejudica todos os seus membros”, disse o então candidato libertário.

O risco fez diplomatas brasileiros e europeus acelerarem a aprovação de um tratado de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Não se sabe ainda se eles conseguirão concluir o acordo antes da posse.

Outra decisão será o que fazer com o Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que em agosto aprovou a entrada de outros seis membros – incluindo a Argentina. Durante a campanha, Milei desprezou o bloco de países emergentes. “Nosso alinhamento geopolítico é com EUA e Israel”, afirmou. Resta saber se ele manterá sua posição depois de assumir o poder.

 

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