Quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Voltar “Não posso ligar para todo mundo que morre”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (22) que ligou para os familiares do cabo da Polícia Militar Bruno Costa, de 38 anos, que morreu durante confronto no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Outras 16 pessoas também morreram durante a operação. Inicialmente, as autoridades divulgaram um número de 18 mortes ao todo, mas o dado foi retificado. O presidente foi questionado sobre as outras vítimas, mas disse para os jornalistas se solidarizem com os familiares.

“Você se solidarize com essas pessoas, tá ok?”, disse Bolsonaro, durante visita a um posto de gasolina em Brasília.

Entre as vítimas, está Letícia Marinho Salles, de 50 anos, mãe de três filhos. Bolsonaro foi questionado se seria solidário à essa família também.

“Não vou entrar em detalhe aqui. Não, não, não. Se essa mãe é inocente…Se eu ligar para todo mundo que morre todo dia, eu tô… Esse fato deu repercussão, é um cabo para-quedista, é meu irmão e ponto final. Parabéns à Polícia Militar aí”, afirmou.

Na última quinta (21), Bolsonaro também lamentou a morte do cabo durante a sua live (transmissão ao vivo) semanal, sem comentar sobre as outras 17 que ocorreram durante a operação.

“Nossos sentimentos à família, lamentamos o ocorrido, e obviamente, né. Até hoje, o Rio de Janeiro tem área de exclusão, onde a Polícia Militar não pode agir, por decisão do Supremo Tribunal Federal e a bandidagem cresce nessa área. E a polícia militar fica com dificuldade de combater esses marginais.”

No início do ano, o STF julgou a ação conhecida como “ADPF das Favelas”, que trata de medidas para o combate à letalidade em operações policiais no Rio de Janeiro. A ação prevê que as polícias justifiquem a “excepcionalidade” para a realização de uma operação policial numa favela durante a pandemia. Antes, essas restrições estavam em vigor por força de liminar dada pelo ministro Edson Fachin.

A “ADPF das Favelas” foi proposta pelo PSB em novembro de 2019, mas só entrou em vigor em junho de 2020. Trata-se de uma ação coletiva com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, Educafro, Justiça Global, Redes da Maré, Conectas Direitos Humanos, Movimento Negro Unificado, Iser, Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial/IDMJR, Coletivo Papo Reto, Coletivo Fala Akari, Rede de Comunidades e Movimento contra a Violência, Mães de Manguinhos.

Bolsonaro comparou a decisão do STF com um filme de cowboy e disse que quanto mais “protegida” é a área, mais armados ficam os criminosos.

“É algo parecido quando a gente via filme de cowboy no passado, quando alguém cometia um crime nos Estados Unidos e ele fugia. Quando chegava no México, a patrulha americana não podia entrar naquele estado, e ele tava em paz no México. A mesma coisa acontece no Rio de Janeiro. Nessas áreas protegidas no STF, quanto mais protegido, melhores armados vão ficando e quando entram em ação o lado de cá, lado da lei, por muitas vezes sofre baixas como aqui do prezado paraquedista cabo de Paula. Nosso sentimentos aos familiares que deus conforte ai acolha o de Paula na sua infinita bondade.”

 

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