Quarta-feira, 26 de agosto de 2026

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Voltar Na busca pelo voto, tanto lulistas quanto bolsonaristas se dizem “pais” do Pix

Pivô de guerras de narrativas e de disputa por paternidade com vistas à corrida eleitoral deste ano, o Pix aparece como a instituição que desperta maior confiança dos brasileiros, segundo dados de uma pesquisa Genial/Quaest. O levantamento, que testou a imagem de 16 tópicos perante o eleitorado, mostra que 80% dos entrevistados dizem confiar no sistema de pagamento instantâneo lançado há quase seis anos pelo Banco Central.

Mesmo após ser alvo de boatos e notícias falsas nos últimos anos, incluindo rumores enganosos de que passaria a ser taxado, o nível de confiança no Pix é o maior entre todas as categorias testadas na pesquisa; apenas 19% disseram não confiar, e 1% não soube responder.

Esta foi a primeira pesquisa em que a Quaest testou a confiança no Pix junto a outras instituições, como a Igreja Católica, a Polícia Militar e as Forças Armadas, que apareciam tecnicamente empatadas na liderança no levantamento anterior.

Nesta rodada, os dois primeiros melhoraram seu desempenho, respectivamente, para 76% e 75%, enquanto os militares permaneceram com 70% de confiança — mesmo percentual dos entrevistados que dizem confiar no seu ou na sua cônjuge. A margem de erro é de dois pontos.

— O Pix se tornou algo como o Plano Real ou o Bolsa Família: ninguém hoje vai se posicionar contra ele, e todos os discursos tentam de alguma forma se apropriar do seu sucesso — avalia o cientista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice. — Não necessariamente isso vai mover o voto do eleitor, que costuma ser guiado por esperança ou ameaça. Agora, se durante a campanha ele entender que há algum risco ao Pix, pode acabar influenciando pelo segundo motivo.

Esta foi a primeira pesquisa em que a Quaest testou a confiança no Pix junto a outras instituições, como a Igreja Católica, a Polícia Militar e as Forças Armadas, que apareciam tecnicamente empatadas na liderança no levantamento anterior.

Nesta rodada, os dois primeiros melhoraram seu desempenho, respectivamente, para 76% e 75%, enquanto os militares permaneceram com 70% de confiança — mesmo percentual dos entrevistados que dizem confiar no seu ou na sua cônjuge. A margem de erro é de dois pontos.

— O Pix se tornou algo como o Plano Real ou o Bolsa Família: ninguém hoje vai se posicionar contra ele, e todos os discursos tentam de alguma forma se apropriar do seu sucesso — avalia o cientista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice. — Não necessariamente isso vai mover o voto do eleitor, que costuma ser guiado por esperança ou ameaça. Agora, se durante a campanha ele entender que há algum risco ao Pix, pode acabar influenciando pelo segundo motivo.

Há ligeiras variações nos recortes por renda e por idade: conforme o levantamento, o nível de confiança tende a reduzir entre os mais velhos e os mais pobres, embora ainda se mantenha alto nesses grupos.

No início de 2025, o governo Lula voltou atrás na edição de uma norma da Receita Federal com novas regras para coleta de informações sobre transações financeiras, após a oposição disseminar o discurso de que o objetivo seria uma taxação do Pix. Um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o tema atingiu 200 milhões de visualizações em poucos dias, e antecedeu o pior momento de popularidade do presidente no atual mandato.

Nos últimos meses, especialmente após o tarifaço aplicado pelo governo dos EUA no ano passado, foi a vez de Lula se apegar ao Pix como bandeira de campanha. Em sucessivas ocasiões, o presidente reagiu a ataques da gestão do americano Donald Trump contra o sistema de pagamentos brasileiro, lapidando um discurso que combina a defesa do Pix à soberania nacional.

A fala de Lula é uma tentativa de se contrapor ao apoio que aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu rival na eleição presidencial, deram ao governo Trump, e colar no adversário a culpa pelos ataques dos EUA ao Pix. Flávio, por sua vez, passou a repetir em entrevistas que o Pix seria “do Brasil e do Bolsonaro”, buscando associar a criação do método de pagamento ao governo do seu pai.

Coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Beto Vasques avalia que o Pix passou a ser identificado como uma “linha vermelha”, isto é, algo cujo funcionamento não deve ser alterado por qualquer candidato.

— As classes média e alta viram sua rotina financeira ficar mais ágil e segura, e os mais pobres, mesmo com brechas tecnológicas e sociais ainda existentes, também sentiram que isso facilitou suas vidas. Em um momento de polarização exacerbada, esse consenso é a prova do sucesso do Pix, que se impôs como patrimônio brasileiro — avalia Vasques. Com informações do portal O Globo.

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