Sábado, 14 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 14 de março de 2026
Jürgen Habermas, o filósofo que moldou o discurso da Alemanha do pós-guerra mais do que qualquer outro intelectual popular, morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, na Alemanha. A morte foi confirmada pela editora do filósofo, Suhrkamp.
Ao longo de sete décadas, suas intervenções públicas – desde críticas contundentes ao pensamento fascista na década de 1950 até alertas mais recentes contra o ressurgimento do militarismo e do nacionalismo na Alemanha – conduziram o país em momentos críticos.
Não apenas sua longevidade, mas também a renovada relevância de suas ideias são notáveis em um país onde o pacifismo do pós-guerra está em declínio e o partido de ultradireita AfD (Alternativa para a Alemanha) se tornou o segundo partido mais forte no parlamento.
Educador público
Nascido em 18 de junho de 1929 em Düsseldorf, numa família burguesa, Jürgen Habermas foi submetido a duas cirurgias após o nascimento e na primeira infância para correção de fenda palatina. A consequente dificuldade de fala é frequentemente citada como um fator que influenciou seu trabalho sobre comunicação.
Ele foi criado em um lar protestante fervoroso. Seu pai, um economista, filiou-se ao partido nazista em 1933, mas não passava de um “simpatizante passivo”, disse Habermas.
Ele próprio ingressou na Juventude Hitlerista, assim como a grande maioria dos garotos alemães. Aos 15 anos, quando a guerra se aproximava do fim, conseguiu evitar o alistamento na Wehrmacht escondendo-se da polícia militar.
Durante seus estudos na Universidade de Bonn, Habermas aproximou-se da colega Ute Wesselhoeft. Compartilhavam a paixão pela arte moderna, cinema e literatura. O casal casou-se em 1955. Ela faleceu no ano passado. O casal deixa dois filhos, Tilmann e Judith. A terceira filha, Rebekka, historiadora da arte moderna, faleceu em 2023.
Habermas ganhou destaque inicialmente como jornalista e acadêmico na década de 1950, influenciado pela Escola de Frankfurt e por pensadores marxistas como Theodor Adorno e Max Horkheimer.
Em sua tese de livre-docência, Habermas delineou o desenvolvimento da esfera pública, desde os salões burgueses da Europa do século XVIII até sua transformação, no século XX, em uma arena pública governada pelos meios de comunicação de massa.
A mensagem encontrou eco nos alemães ocidentais do pós-guerra, que estavam aprendendo a discutir política livremente após a libertação da ditadura nazista e em um contexto de governo conservador que também tinha pouca tolerância à dissidência.
Philipp Felsch, autor da biografia “O Filósofo”, afirmou que Habermas se tornou uma espécie de “educador público” dos alemães do pós-guerra, igualmente esperançoso e cético quanto à sua capacidade de sustentar uma democracia liberal.
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