Segunda-feira, 13 de abril de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 12 de abril de 2026
A antecipação da saída da ministra Cármen Lúcia da presidência do Tribunal Superior Eleitoral escancarou a luta interna que hoje move o Supremo Tribunal Federal. Na mais conciliatória das decisões, levaria a uma solução-tampão, não prevista em lei, de manutenção do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, no Palácio da Guanabara, até a eleição do novo governador, em outubro.
O pedido de vista do ministro Flávio Dino no julgamento do futuro da eleição no Rio no STF aconteceu depois do anúncio de Cármen Lúcia no TSE e antes do placar no STF desempatar o julgamento com quatro votos pela eleição indireta (Luiz Fux, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Carmen Lúcia) e um pela direta (Cristiano Zanin).
O que está em curso não é a luta entre Batman e Coringa, como a definiu o advogado do PSD, Thiago Boverio, no TSE. O Rio é, sim, uma extravagante “Gotham City”, mas os interesses em jogo extrapolam a previsível queda de braço entre o ex-prefeito e pré-candidato ao governo, Eduardo Paes (PSD), e a Assembleia Legislativa, numa eventual eleição direta e invadem as disputas em curso hoje no STF.
Paes quer eleição direta, a despeito de ficar privado da chance de ficar oito anos no cargo uma vez que, se eleito, disputaria, em outubro, a reeleição. A maioria da Alerj, de bolsonaristas, milicianos, aliados do crime organizado e, como acrescentou o ministro Gilmar Mendes, do jogo do bicho, quer eleger o governador indiretamente para, com o domínio da máquina estadual, ter condições de levá-lo a derrotar Eduardo Paes. O grau de degradação da política fluminense é usado por esses ministros em defesa desta solução de manter o presidente do TJ.
Ao votar, Fux escancarou os termos da disputa interna. Ao mencionar as referências dos colegas à degradação da política em seu Estado, lamentou que eles não tenham visto o mesmo processo no Mensalão, no Petrolão e, mais recentemente, no caso Master. O excesso de liberalidade interpretativa do STF na escolha de quem vai conduzir o Rio é o que é o que estaria a adensar a posição liderada por Kassio Nunes e André Mendonça.
No caso de Cármen Lúcia, parece ter pesado ainda a insatisfação pela cobrança dos colegas (Mendes e Dino) em relação ao acórdão do julgamento. A ministra não se limitou, durante o julgamento, a exibir sua contrariedade com a cobrança. Informou sua decisão de antecipar sua saída da presidência da Corte Eleitoral, como se sugerisse: “Se acham que está ruim comigo, se virem com o próximo presidente [Nunes Marques]”. E emendou sua reação aderindo à tese da eleição indireta.
Ao pedir vista, Dino colocou o STF em compasso de espera sobre o tratamento que o acórdão trará sobre a cassação de Castro, num apelo para levar Toffoli e Edson Fachin a fechar com a tese da eleição direta. Em última instância, usaria os 90 dias de prazo para a devolução de vista para negociar a permanência do presidente do TJ.
A luta interna que hoje domina o STF tem reflexos claros sobre o Congresso Nacional. Ainda nesta quinta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou a sessão que vai deliberar sobre os vetos do presidente da República ao PL da Dosimetria. Esta era uma demanda da bancada bolsonarista.
O ato aumentou a incerteza sobre outra decisão do dia, o envio, para a CCJ, da mensagem presidencial com a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o STF. A sabatina foi marcada para o dia 29, véspera da sessão do Congresso sobre a dosimetria. Ainda na tarde de quinta (9), o senador Eduardo Girão (Novo-CE) ameaçou Alcolumbre de acionar o STF para que a Comissão de Ética instale processo para seu afastamento do cargo por omissão institucional e abuso de poder. Em outros tempos, Alcolumbre não teria dúvidas sobre sua blindagem na Corte. Desta vez, ante a previsível pressão pela leitura da ata de abertura da CPI do Master durante a sessão da análise do veto presidencial, não pagou para ver. Com informações do portal Valor Econômico.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.