Domingo, 19 de abril de 2026

Domingo, 19 de abril de 2026

Voltar Mesmo com alta no preço, Brasil tem 3º cigarro mais barato da América do Sul

O governo federal anunciou um novo aumento no preço mínimo do cigarro, que passará de R$ 6,50 para R$ 7,50. Apesar do reajuste, especialistas consideram o valor insuficiente para conter um cenário considerado preocupante: pela primeira vez em duas décadas, o número de fumantes voltou a crescer no Brasil. Atualmente, o país tem o terceiro menor preço do produto na América do Sul.

Até 2017, o Brasil adotava uma política de reajustes anuais acima da inflação, com o objetivo de reduzir o consumo. No entanto, os aumentos ficaram congelados até 2023, período em que o preço mínimo permaneceu em R$ 5. Apenas em 2024 houve correção para R$ 6,50. O novo reajuste, previsto para 2026, ocorre em meio a pressões econômicas, como os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis.

De acordo com especialistas, caso a política anterior tivesse sido mantida, o preço mínimo do cigarro já estaria próximo de R$ 10. A elevação dos preços é apontada como uma das medidas mais eficazes para reduzir o tabagismo. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que a prevalência de fumantes subiu para 11,6% em 2024.

Desde a década de 1990, o Brasil vinha registrando queda no número de fumantes, resultado de políticas públicas de controle do tabagismo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a proporção caiu de mais de 30% da população para cerca de 9% em 2015, impulsionada principalmente pelo aumento de impostos e preços. Agora, esse avanço dá sinais de reversão.

O impacto econômico também preocupa. O Sistema Único de Saúde gasta cerca de R$ 98 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo, enquanto a arrecadação de impostos do setor cobre apenas 5% desse custo. Na prática, para cada R$ 1 arrecadado, o governo desembolsa aproximadamente R$ 5 em despesas de saúde e perdas de produtividade.

Levantamento da Organização Mundial da Saúde, divulgado em 2025 com dados de 2024, aponta que o Brasil segue entre os países com menor preço de cigarro na América do Sul, mesmo após o reajuste. Para especialistas, esse cenário favorece o consumo e contribui para o aumento recente do número de fumantes, que passou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024.

Pesquisadores destacam que o longo período sem reajustes foi determinante para a mudança de tendência. “Mesmo com a alta recente, o cigarro ainda é barato no país”, afirma o pesquisador André Szklo, do INCA.

Outro fator de preocupação é o avanço do cigarro eletrônico. Segundo especialistas, o uso de dispositivos, embora proibidos no Brasil, tem funcionado como porta de entrada para o consumo do cigarro convencional, especialmente entre jovens.

Diante do cenário, entidades de saúde defendem a retomada de políticas mais rígidas de preço e tributação como estratégia para conter o avanço do tabagismo e reduzir seus impactos na saúde pública.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário
0 0 votos
Classificação do artigo
Verificação de Email (apenas uma vez)

Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Domingão Da Caiçara