Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 7 de fevereiro de 2026
Mesmo após ser escanteado pela família Bolsonaro na disputa ao Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, continua sendo a grande pedra no sapato do presidente Lula para a corrida eleitoral de 2026. Sua presença em São Paulo, disputando a reeleição, é o motivo principal para a dificuldade de Lula em construir um palanque sólido no maior colégio eleitoral do País. Palanque este fundamental, sobretudo diante das dificuldades para manter intacta a vantagem obtida no Nordeste no último pleito.
Se Tarcísio fica mais distante da disputa presidencial a cada novo levantamento que mostra melhora de Flávio Bolsonaro, a realidade da busca pela reeleição tem afugentado os nomes mais fortes da esquerda. Não é por acaso. Pesquisas divulgadas em dezembro mostram que ele terminou seu terceiro ano de mandato com alta aprovação (60% segundo a Real Time/Big Data e 64,2% de acordo com a Paraná Pesquisas).
Isso ajuda a explicar a resistência de Fernando Haddad em encampar o sacrifício de se candidatar em uma eleição ainda mais difícil do que a última que encarou no Estado. Tarcísio hoje tem a máquina nas mãos, muito mais apoio partidário e interlocução junto a prefeitos. Considerando a aprovação do governador beirando os 65%, Haddad teria enormes dificuldades de repetir os 35,70% de votos válidos que teve no primeiro turno e empurrar a eleição ao segundo turno sem um terceiro candidato competitivo (como havia Rodrigo Garcia, hoje aliado de Tarcísio e na época adversário, em 2022).
Não é equivocada a avaliação de Haddad de que já se sacrificou demais pelo partido. Ele encampou a disputa pela reeleição na capital no auge do antipetismo da campanha do impeachment em 2016 e foi alçado a candidato presidencial de um político preso sob os ecos da Lava Jato em 2018. Duas eleições previsivelmente tão difíceis quanto a atual. Entende que não merece ser sacrificado apenas para impulsionar votos para o presidente e sair com a quarta derrota seguida.
A outra opção, Simone Tebet, também não quer, pelo mesmo motivo. Prefere o Senado. E empurra a candidatura ao governo para Haddad publicamente. Ninguém recusa uma candidatura de governador se ela for minimamente viável. “Não tem como o ministro Haddad fugir dessa missão. Não dá. O quadro não fecha sem ele. E ele precisa ter essa consciência e acho que tem”, disse ela nessa carta, insistindo para que Haddad vá para o sacrifício.
Geraldo Alckmin, por óbvio, não quer trocar a vice de uma chapa favorita à Presidência por uma disputa bastante difícil em São Paulo. Ser vice no possível último mandato da carreira política de Lula é caminho interessante para uma eventual nova candidatura como sucessor do petista ao Palácio do Planalto em 2030.
Quem quer mesmo, e não é de hoje, é Márcio França, em quem Lula não vê suficiente apelo eleitoral e vinculação ao PT para ajudar a puxar votos pra chapa presidencial. Em 2018, quando disputou um segundo turno acirrado com João Doria, o ministro escondeu qualquer proximidade com Lula.
O quadro não é simples. Historicamente, o PT obteve entre 30% e 35% na corrida ao governo em São Paulo, atingindo mais de 40% nas duas únicas vezes em que houve segundo turno. A principal exceção é justamente 2018, quando Luiz Marinho somou apenas 12,66% para o Estado e o PT perdeu sua única eleição presidencial no século. É consenso entre aliados de Lula que a volta ao segundo turno da disputa estadual depois de 20 anos em São Paulo foi fundamental para a vitória petista ao Planalto. Não por acaso, Haddad teve 44,73% dos votos ao governo e Lula teve 44,76% à Presidência no Estado.
Soma-se a isso o fato de que há enroscos relevantes no Nordeste que podem arranhar, ainda que levemente, o histórico bom desempenho de Lula na corrida presidencial na região. Em um País polarizado, e com pesquisas indicando uma nova disputa parelha, com um cenário mais desafiador no Nordeste, o petista não pode se dar ao luxo de perder votos em São Paulo em relação a 2022. Não há, sob a ótica petista, como ter um candidato para cumprir tabela, sob o risco de ver Tarcísio, mesmo fora da corrida eleitoral, ser o responsável por tirar Lula da Presidência. (Coluna de opinião do portal Estadão, por Ricardo Corrêa).
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