Sábado, 11 de julho de 2026

Sábado, 11 de julho de 2026

Voltar Mais de um terço dos trabalhadores do Brasil recebe até um salário mínimo, diz IBGE

Mais de um terço dos trabalhadores brasileiros (35,3%) recebia até um salário mínimo em 2022, segundo dados preliminares do Censo Demográfico divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento também expõe desigualdades persistentes de gênero, raça e escolaridade no mercado de trabalho.

De acordo com o estudo, apenas 7,6% dos ocupados tinham rendimentos superiores a cinco salários mínimos — o equivalente a R$ 6.060 em 2022. As duas faixas registraram queda em relação ao Censo de 2010, quando 36,4% ganhavam até um salário mínimo e 9,6% superavam os cinco mínimos. A pesquisa considerou pessoas com 14 anos ou mais que, entre 25 e 31 de julho de 2022, trabalharam ao menos uma hora ou estavam temporariamente afastadas de uma atividade remunerada.

A faixa de renda mais comum no País é a de mais de um até dois salários mínimos (R$ 1.212,01 a R$ 2.424), que abrange 32,7% dos trabalhadores. Já a parcela com renda superior a 20 salários mínimos (R$ 24.240 ou mais) representa apenas 0,7% do total.

As disparidades se acentuam quando observadas por gênero. Embora as mulheres representem 52% da população, elas eram apenas 43,6% da força de trabalho em 2022. Entre os homens, 62,9% estavam ocupados; entre as mulheres, a proporção era de 44,9%.

A presença feminina se destaca em áreas como ciências e atividades intelectuais, apoio administrativo, comércio e serviços — especialmente nos domésticos, onde 93,1% dos trabalhadores são mulheres. Elas também predominam nos setores de saúde humana e educação, com mais de 70% dos postos de trabalho. Já os menores índices de participação feminina aparecem entre operadores de máquinas e nas forças armadas, policiais e bombeiros militares.

A desigualdade de renda entre homens e mulheres continua expressiva. A média salarial masculina foi de R$ 3.115, enquanto a feminina ficou em R$ 2.506 — uma diferença de R$ 609. Essa distância aumenta com o nível de escolaridade: entre os que têm ensino superior completo, homens ganham em média R$ 7.347, enquanto as mulheres recebem R$ 4.591, o equivalente a cerca de 60% do valor. Apesar disso, elas seguem mais instruídas: 28,9% das trabalhadoras concluíram o ensino superior, contra 17,3% dos homens.

As diferenças também se refletem na renda por cor ou raça. Trabalhadores indígenas registraram o menor rendimento médio, R$ 1.653, seguidos por pessoas pretas (R$ 2.061) e pardas. Já os trabalhadores de cor ou raça amarela tiveram os maiores ganhos, R$ 5.942, seguidos pelos brancos, com R$ 3.659.

Mesmo entre pessoas com ensino superior, a desigualdade permanece. Trabalhadores indígenas recebiam em média R$ 3.799, menos da metade do valor dos amarelos (R$ 8.411). Pretos ganhavam R$ 4.175, contra R$ 6.547 entre brancos.

O grau de instrução também revela contrastes marcantes. Entre brancos e amarelos, é maior a proporção de pessoas com ensino superior do que de trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto. Entre pretos, pardos e indígenas, ocorre o inverso — e, neste último grupo, 34,7% não completaram o ensino fundamental, enquanto apenas 12,4% concluíram o ensino superior.

Os dados reforçam que, mesmo com avanços no acesso à educação e maior participação feminina no mercado de trabalho, as desigualdades de renda no país continuam fortemente associadas ao gênero, à cor e à região de origem dos trabalhadores.

 

(Agência Brasil)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Show Da Manhã