Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026

Segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026

Voltar Maior usina nuclear do mundo é reativada no Japão após 15 anos

O Japão reativou nesta segunda-feira (9) a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior do mundo em capacidade instalada, após mais de uma década fora de operação. A retomada ocorreu às 14h no horário local (2h de Brasília), segundo informou a Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da instalação localizada na província de Niigata, no centro-norte do país.

A reativação havia sido tentada no fim de janeiro, mas acabou suspensa após a detecção de uma falha em um sistema de alarme, considerada de baixa gravidade pelas autoridades regulatórias. O episódio, no entanto, levou a empresa a interromper o processo para a realização de novos testes e inspeções de segurança, adiando o retorno da unidade ao sistema elétrico nacional.

Apesar da liberação oficial, a decisão voltou a gerar protestos. Manifestantes contrários à energia nuclear se concentraram em frente à sede da Tepco, em Tóquio, portando faixas e cartazes que criticavam a reativação da usina e cobravam maior investimento em fontes renováveis. Grupos ambientalistas e moradores da região de Niigata expressam preocupações recorrentes com os riscos sísmicos do Japão e com a gestão de resíduos nucleares.

A usina de Kashiwazaki-Kariwa estava totalmente inativa desde 2011, quando o Japão desligou todas as suas centrais nucleares após o terremoto e o tsunami que atingiram o nordeste do país e provocaram o acidente na usina de Fukushima Daiichi. O desastre levou à fusão de três reatores, ao deslocamento de milhares de pessoas e a uma profunda revisão da política energética japonesa, marcada por anos de paralisação do setor nuclear.

Nos últimos anos, porém, o governo japonês passou a reavaliar essa estratégia. Diante do aumento dos custos de importação de combustíveis fósseis, da volatilidade do mercado internacional de energia e das metas climáticas assumidas pelo país, Tóquio voltou a apostar na energia nuclear como parte central de sua matriz energética. A meta é reduzir a dependência de carvão, gás natural e petróleo, além de avançar no compromisso de neutralidade de carbono até meados do século.

Outro fator citado pelo governo é o crescimento acelerado da demanda por eletricidade, impulsionado pela expansão de data centers, pela digitalização da economia e pelo avanço de tecnologias ligadas à inteligência artificial, que exigem grande capacidade energética e fornecimento estável.

A política pró-nuclear conta com o apoio da primeira-ministra conservadora Sanae Takaichi, que defende a retomada gradual das usinas como instrumento para fortalecer a economia e garantir segurança energética. No domingo (8), Takaichi obteve uma vitória expressiva nas eleições legislativas. O Partido Liberal Democrático (PLD), liderado por ela, conquistou 316 cadeiras na Câmara, superando com folga as 233 necessárias para assegurar maioria simples, de acordo com dados divulgados pela emissora pública NHK.

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