Sexta-feira, 20 de maio de 2022

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Voltar Macron tem o desafio mobilizar a esquerda contra a extrema direita no segundo turno das eleições francesas

Assim como em 2017, Emmanuel Macron ficou em primeiro lugar e enfrentará Marine Le Pen no segundo turno das eleições presidenciais da França. Se, há cinco anos, o caminho do atual presidente no pleito decisivo foi relativamente tranquilo e ele conseguiu atrair 66,10% dos votos válidos, dessa vez o desafio é bem mais significativo, e uma vitória da candidata da extrema direita não é impossível.

Macron, que teve 27,84% dos votos válidos, precisará atrair eleitores de setores diversos para conseguir se reeleger. Enquanto, em 2017, o presidente centrista pôde contar com muitos votos do partido de direita Os Republicanos, em cinco anos eles minguaram de 20% para 4,78%, no pior desempenho da tradicional sigla até hoje. Com isso, Macron precisará encontrar apoiadores em outros lugares, sem deformar a sua agenda.

O apoio mais importante pode estar entre os eleitores de Jean-Luc Mélenchon, que ficou em terceiro, com 21,95%. Os defensores do candidato da França Insubmissa, no entanto, há muito nutrem antipatia em relação ao atual presidente, acusado de governar com pouca sensibilidade social e para os ricos. Como resultado, segundo uma pesquisa do canal TF1Info divulgada no domingo (10), 33% dos eleitores de Mélenchon pretendem votar em Macron, 44% planejam se abster e 23% querem votar em Le Pen, que fez uma campanha baseada principalmente no custo de vida.

Enquanto isso, a candidata da Reunião Nacional, que obteve 23,15% dos votos, dispõe de uma considerável reserva de eleitores que vai aderir de modo imediato à sua candidatura. Em seu conjunto, a direita radical teve 7 pontos percentuais a mais do que em 2017. O ex-comentarista político Éric Zemmour conquistou 7,07% dos votos, e, além deles, Le Pen deve herdar também os votos do soberanista antieuropeu Nicolas Dupont-Aignan, o único candidato que a apoiou há cinco anos, que obteve 2,06% dos votos desta vez.

Nova frente única

Tal como há cinco anos — e também como em 2002, quando Jacques Chirac enfrentou o pai de Marine, Jean-Marie Le Pen, na primeira vez que a extrema direita chegou ao segundo turno — Macron vai transmitir a mensagem de uma frente única e republicana contra o extremismo, ou, em suas palavras no discurso que fez domingo após o resultado, “um grande movimento político de unidade”.

Nesta segunda (11), seu primeiro ato de campanha foi em Denain, no Norte, região onde Marine Le Pen é conselheira departamental, e onde ela ficou em primeiro, com 41% dos votos. A cidade, que historicamente votava na esquerda, é uma das regiões do interior da França que nunca se recuperaram da desindustrialização — neste caso, o fechamento de uma usina siderúrgica em 1978.

Frente a um desemprego de 36%, com 43% da população abaixo da linha da pobreza, os moradores de Denain só deram 14% dos votos a Macron, que ficou atrás também de Mélenchon, com 29%. Além de listar várias propostas, como o pagamento de um bônus aos trabalhadores, e de prometer ajudar sobretudo os “trabalhadores e aposentados”, Macron criticou “os extremos, incluindo a Reunião Nacional, [que] se alimentam de fatalidades”. Ele também ensaiou uma autocrítica.

“[Os extremismos] se alimentam de fracassos passados, da desindustrialização, da miséria que se instalou. Eu ouço a mensagem; respondemos rápido e alto o suficiente? Não”, afirmou.

Macron disse que seu programa “deve ser enriquecido” para o segundo turno, sobretudo em pontos como “ecologia e trabalho”. Ainda assim, evitou o pessimismo e se disse satisfeito com o resultado.

“Obtive mais votos do que há cinco anos no primeiro turno, e também quero lembrar disso, que é algo que não se menciona o bastante, pelo prazer do desastre”, afirmou.

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Algumas vantagens

Nem tudo, é verdade, é negativo para o presidente. Além de ter subido três pontos em comparação a 2017, ele herda a grande maioria dos votos do candidato ecologista Yannick Jadot, que ficou em sexto, com 4,6% dos votos, e da candidata do Partido Socialista Anne Hidalgo, que obteve 1,75% e ficou em décimo.

Embora não tenham declarado apoio oficial à sua candidatura, Os Republicanos também disseram que “nenhum voto deve ser dado a Le Pen”, mensagem praticamente idêntica à de Mélenchon no domingo — à diferença de 2017, quando então se absteve. A maioria das pesquisas aponta Macron à frente de Le Pen, acima da margem de erro, o que foi reiterado por uma pesquisa Opionway divulgada nesta segunda, que projetou que ele vencerá por 54% a 46%.

O próprio presidente disse, no entanto, que “uma nova campanha se abre” nas duas semanas até o segundo turno. A dúvida é se ele conseguirá convencer os eleitores de que seu programa “é justo e tem preocupação social”, como afirmou em Denain.

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