Terça-feira, 28 de maio de 2024

Terça-feira, 28 de maio de 2024

Voltar Lula sai em defesa do ministro das Relações Institucionais para conter fritura do ministro responsável pela articulação política do governo com o Legislativo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente o ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha, que voltou a ser criticado nos bastidores por caciques do Congresso, entre eles o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Esse grupo de parlamentares se queixa de que o responsável pela articulação com o Legislativo demora a atender as demandas apresentadas por deputados e senadores e, por vezes, não cumpre as promessas que faz.

Em meio ao processo de fritura do auxiliar petista, Lula aproveitou um evento com catadores, em Brasília, para fazer um gesto ao ministro. Ele afirmou que Padilha “cumpriu o seu papel” e lembrou que o número de deputados de esquerda dificulta a governabilidade.

“O companheiro Alexandre Padilha (…) foi escolhido por mim para manter uma relação difícil. O PT só tem 50 deputados de 513, PCdoB tem um pouquinho, PSB tem um pouquinho, PDT tem um pouquinho. A esquerda toda não deve ter 130 deputados de 513. Vocês têm que compreender capacidade que temos que ter de negociar pra aprovar qualquer coisa”, disse, mencionando legendas que somam 107 deputados.

Marco temporal

Em seguida, Lula citou a derrubada pelo Congresso Nacional dos vetos ao projeto que estabelecia um marco temporal para a demarcação terras indígenas no país. O presidente afirmou que os parlamentares aprovaram coisas “totalmente contrárias” ao que os indígenas queriam, mas que agora, por não haver maioria, terão que brigar na Justiça caso queiram reverter a decisão: “Agora, se a gente quiser, vai ter que voltar a brigar na Justiça, porque a gente não tem maioria, apesar de muitas coisas o Congresso ter contribuído para a gente ter conquistado coisas e avançar.”

Lula vetou o marco temporal. A tese, defendida por ruralistas, também já havia sido considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Congresso, porém, derrubou o veto do presidente. Agora, a expectativa é de que algum membro da base acione o Supremo para derrubar o marco temporal. Também ontem, Padilha marcou posição sobre o resultado do próprio trabalho ao dizer que a agenda central definida pelo governo foi “aprovada integralmente”. Ele também minimizou eventuais problemas em sua relação com os parlamentares.

“Eu não vou entrar em comentários de matérias em ‘off’, de fofocas que são feitas pela imprensa. Eu tenho uma relação de profundo respeito com todos os deputados e senadores, em especial com os presidentes das duas Casas, respeito institucional.”

Com os líderes, dialogo permanentemente. Na última reunião ministerial do ano, Lula enalteceu a articulação política do Planalto, mas não citou Padilha nominalmente, apenas os líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PTCE); no Senado, Jaques Wagner (PT-BA); e no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido – AP), além do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que conduziu negociações de medidas econômicas.

Nos bastidores, Arthur Lira e aliados do Centrão têm se queixado do ritmo de atuação de Padilha. Um dos descontentamentos recentes do grupo se deu durante a negociação em torno dos cargos do primeiro escalão da Caixa. O presidente do banco, Carlos Vieira, indicado de Lira, tomou posse em novembro, depois de mais de um mês de articulações. A vice-presidências da instituição, prometidas a siglas do Centrão, ainda não foram ocupadas.

Membro do Planalto

O presidente da Câmara atribuiu notícias sobre um suposto rompimento entre ele e Fernando Haddad a um “membro do Planalto” e disse que se tratava de “fake news”. Aliados do deputado alagoano afirmam que Lira se referia a Padilha.

A irritação do parlamentar com ministro das Relações Institucionais não é nova e já foi expressada publicamente em outras ocasiões. Ainda em maio, Lira disse que havia “uma insatisfação generalizada com a falta de articulação política” do governo junto à Câmara, que à época analisava a medida provisória que reestruturou o Executivo, criando e extinguindo ministérios.

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No Ar: Caiçara Confidencial