Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 8 de fevereiro de 2026
O presidente Lula fez cobranças públicas ao PT, criticou as disputas internas e buscou mobilizar a base para as eleições de outubro na celebração dos 46 anos do partido no sábado (7) em Salvador.
Em um discurso com ares de discussão de relacionamento, o presidente defendeu a formação de alianças amplas e afirmou que o partido “não está com essa bola toda” em todos os estados.
“Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Lula buscou inflamar a militância afirmando que está à disposição do partido: “Estejam preparados. Se vocês precisam de um timoneiro, está aqui eu. Se vocês precisam de um soldado para a linha de frente está aqui eu. Porque eu não quero ser um general, general sempre fica atrás. Eu quero estar na frente com vocês”.
Na sequência, disse que a militância precisa defender o governo e permanecer mobilizada nas redes sociais, classificou as eleições de outubro como uma guerra.
“Nós temos que ser mais desaforados porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem mais essa de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra”, afirmou.
O presidente iniciou seu discurso relembrando a fundação do PT nos anos 1980. Relembrou as bandeiras históricas da legenda, disse que o partido não pode se igualar à direita em uma política movida pelo dinheiro.
“A política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como está o mercado eleitoral nesse país, quanto custa um cabo eleitoral, quanto custa um vereador, quanto custa cada candidatura nesse país. É uma vergonha”, afirmou.
Na sequência, criticou a quantidade de dinheiro envolvido nas campanhas eleitorais e disse sentir saudade dos tempos em que o partido vendia camisetas para custear os comícios: “Agora é dinheiro rolando para tudo quanto é lado”.
O presidente cobrou uma autocrítica do PT por ter sido a favor das emendas impositivas, aprovadas no Congresso, e classificou o volume desses recursos como “um sequestro” das verbas do Executivo para que deputados e senadores gastem como quiserem.
“Vocês têm obrigação de não deixar que partido vá para a vala comum da política desse país”, afirmou
Também destacou que o PT precisa se fortalecer na sociedade: “É o partido que tem que ser forte, não é o Lula. O Lula é uma pessoa física, vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”.
Ainda segundo Lula, o PT precisa ir para a periferia e conversar com o eleitorado, incluindo os evangélicos, lembrando que maioria deles recebem benefícios do governo federal.
Depois das cobranças, encerrou o discurso em tom otimista, afirmando que o PT só perde a eleição presidencial para si mesmo.
“A eleição vai ser uma guerra e temos que estar preparados para ela para ganhar em alto nível. Vamos nos preparar. Saibam que estou motivado para cacete porque o que está em jogo não é só ganhar as eleições, precisamos pensar em um outro projeto para esse país, para despertar os corações”, afirmou.
Dois dias após dizer que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem uma missão a cumprir em São Paulo, Lula o afagou dizendo que teve sorte com seus vices: “O Geraldo Alckmin foi uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida. É um homem extraordinário que eu respeito e admiro”.
O evento foi uma espécie de pontapé inicial para as eleições de outubro. O presidente aproveitou o ato para mobilizar a militância e indicar as diretrizes da campanha, que incluem a defesa do legado das gestões petistas, o combate a privilégios e pautas como o fim da escala 6×1. A aposta é um discurso ideológico para enfrentar a direita bolsonarista na eleição.
A Bahia foi escolhida para sediar as celebrações dos 46 anos como forma de reafirmar a importância eleitoral do estado, que deu uma frente de quatro milhões de votos a Lula na disputa contra Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno em 2022.
Mais cedo, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a construção de um amplo arco de alianças será crucial para a reeleição do presidente.
“Temos que ter capacidade de fazer alianças partidárias e com a sociedade. Não podemos ter dúvidas do que é central. Nada é mais importante do que a eleição do presidente”, afirmou.
Ele ainda defendeu a importância de eleger senadores comprometidos com a democracia e citou a meta de eleger ao menos um deputado do PT em cada estado brasileiro e ampliar as bancadas nos estados onde a sigla já tem representantes na Câmara dos Deputados. Com informações da Folha de São Paulo.
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