Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 17 de outubro de 2026
Dois dos segmentos mais afetados pelo fim da escala 6X1, varejo e restaurantes, já têm na ponta do lápis a conta de quanto poderá custar a mudança. Restaurantes que quiserem manter o funcionamento por seis dias por semana, por exemplo, terão aumento de 20% na folha de pagamento, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A entidade estima que a mudança levará a uma alta de 7% a 8% nos preços dos cardápios.
O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, usa o exemplo de uma cozinheira que recebe R$ 1 mil por semana para trabalhar seis dias. Com a nova regra, ela receberá o mesmo valor por cinco dias, o equivalente a R$ 200 por dia. Para manter o restaurante aberto no sexto dia, o estabelecimento precisará contratar outra pessoa, com pagamento de ao menos esse valor, o que elevaria a folha em 20%. Segundo a entidade, mesmo quem adota a escala 5×2, com jornada de 40 horas semanais, terá aumento de 9,1% na folha, em razão do custo do segundo dia de descanso remunerado.
A Abrasel afirma que o setor tem pouca margem para absorver o aumento. Segundo pesquisa da entidade, 40% dos estabelecimentos tiveram lucro em agosto; os demais registraram empate ou prejuízo. “Não há como absorver uma alta dessa ordem. O repasse tende a ser rápido”, disse Solmucci.
Já para o varejo, a mudança pode elevar as despesas com mão de obra entre 20% e 22%. A estimativa é do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne grandes redes do país.
“Para manter o mesmo nível de atendimento, abastecimento etc., as lojas necessitarão contratar mais”, disse o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho. Segundo ele, o número de vagas vai depender do tipo de varejo, e as redes que operam com equipes menores devem sentir mais o efeito. “Quanto menor o número atual de colaboradores, proporcionalmente elas terão que contratar mais.”
Essas empresas, de acordo com o executivo, terão menos flexibilidade para se adaptar e podem recorrer a alternativas como fechar mais cedo ou não abrir em algum dia da semana. “Cada setor terá a sua dificuldade específica.”
Para Tadeu Machado, sócio de direito trabalhista do Cascione Advogados, o impacto será menor em funções de escritório e maior onde o trabalho é feito em turnos ou sem interrupção. Nesses casos, segundo o advogado, as empresas terão de abrir vagas para cobrir as horas a menos e procurar os sindicatos para renegociar os acordos coletivos de jornada. Machado lembra que a redução será escalonada: o limite cai para 42 horas 60 dias após a promulgação e para 40 horas um ano depois. Os limites diários de jornada e de horas extras, assim como as formas de compensação, não mudam.
O setor de educação estima impacto médio de R$ 17,3 bilhões por ano com a aprovação do fim da escala de seis dias trabalhados para um de descanso, o que pode levar a um reajuste de até 23% no valor da mensalidade. Esse incremento depende de como será tratado o segundo dia de folga para professores horistas.
O levantamento foi feito pelo economista Luiz Alvares Rezende de Souza, da NumbersTalk, a pedido da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), que representa 46 mil colégios e 2,3 mil faculdades.
A educação trabalha com modelo distinto. O setor tem professores horistas, cuja remuneração é feita conforme a quantidade de horas ministradas. A questão da Confenen é como será tratado o segundo dia de descanso. A dúvida é se será remunerado ou compensado com descanso.
O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa pilotos e comissários, iniciou as negociações com as companhias aéreas. Atualmente, as jornadas de trabalho da categoria são reguladas pelo Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) 117. A categoria pode trabalhar até 13 horas por dia, com variações a depender da jornada. “Hoje, já temos jornadas semanais que chegam a seis dias. É prática na aviação. A gente entende que vai ter de incluir esse tipo de exceção no acordo”, disse Tiago Rosa, presidente do SNA. (Com informações do Valor)
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.