Sábado, 27 de junho de 2026
Por Redação Rádio Caiçara | 5 de junho de 2026
O juiz José Fernando Steinberg, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo, que em 29 de outubro de 2022, na véspera das eleições presidenciais, foi perseguido pela então deputada federal Carla Zambelli (PL).
A medida foi determinada devido ao não pagamento de uma indenização por difamação a qual Araújo foi condenado. Ele foi considerado culpado por difamar Zambelli ao ter publicado, após a perseguição, um texto com críticas à ex-deputada.
No texto, Araújo afirmou, por exemplo, que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”. Tal seita seria composta por “mercadores da morte”, escreveu o jornalista.
Processado pela então parlamentar, Araújo foi absolvido do crime de injúria, mas acabou condenado ao pagamento de indenização por difamação. Em valores atuais, acrescido de multas e custas processuais, o valor não pago é de pouco mais de R$ 2,2 mil.
“Com efeito, tendo em vista que o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta, nos termos do artigo 44, parágrafo 4º, do Código Penal, converto a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, nos moldes da sentença prolatada”, escreveu o magistrado responsável pelo caso, em decisão publicada nesta semana.
A defesa do jornalista alega ele não tem capacidade econômica para pagar a indenização e apresentou um pedido de habeas corpus.
Entenda
Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Zambelli e Araújo, que é apoiador do presidente Lula, se envolveram em um bate-boca que culminou com a então deputada sacando uma arma e perseguindo o jornalista na rua e, posteriormente, dentro de uma lanchonete na capital paulista. A ação foi filmada por pessoas que estavam na região.
Em agosto do ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão em razão do episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
Zambelli, contudo, já havia ido em julho para a Itália, a fim de evitar sua prisão devido a uma condenação anterior, de 10 anos de prisão, a qual foi sentenciada por ser a mentora de uma invasão ao sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
O Brasil pediu a extradição de Zambelli, que chegou a ser concedida pelas primeiras instâncias da Justiça italiana, mas acabou sendo cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.
Após enviar seu primeiro comentário, você receberá um email de confirmação. Clique no link para verificar seu email - depois disso, todos os seus próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Você só precisa verificar uma vez a cada 30 dias.